Caraminholas
   UMA LÁGRIMA POR ALGUMAS MÃES

Um mil e setecentas quintas-feiras completadas ontem. Seguidas e ininterruptas. A primeira delas, em 30 de abril de 1977. A última? Resposta, mais do que improvável, impossível. As cinzas de várias delas estão espalhadas pela praça. E assim haverá de ser com cada uma delas. Até não viver mais nenhuma. E quem são elas? As mães da Plaza de Mayo. São mulheres que, a cada quinta-feira, pontualmente às 15h30, protestam com seus lenços brancos na cabeça, faixas e gritos de "com vida os levaram, com vida os amamos". Isso na Argentina. Enquanto isso, em um país vizinho...



Escrito por Marcos Pardim às 10h41
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   SOBRE OPERÁRIOS E MULHERES

A primeira vez que votei em uma eleição para presidente foi em 1989. No final do post, avis rara leitor(a), intento conseguir justificar ter escolhido iniciar este texto com esta afirmação.

Pois bem, à ocasião, ao anúncio do resultado, também em segundo turno, solitária e silenciosamente chorei - de tristeza. Os fatos históricos explicariam as minhas lágrimas.

Ontem, ao anúncio do resultado, silenciosa e solitariamente voltei a chorar. Mais do que de alegria, de alívio e de esperança. Que os fatos históricos expliquem estas minhas lágrimas - espero, anseio e torço.

Sairá um operário, que entregará a faixa presidencial à uma mulher. No Brasil? Se alguém me dissesse isto em 1989, inimaginaria. Agora, isto é um fato, repleto de um simbolismo que me emociona pelo tanto que revela, muito mais pela maturidade tantas vezes menosprezada da sociedade brasileira do que pelo resultado real das equações propostas pelas instituições responsáveis pela salvaguarda dos três poderes do Estado.

Ao me dirigir, logo após o almoço, ao colégio onde costumeiramente exercito meu voto, o fiz em companhia de minha filha Luiza. Ela tem 17 anos e pela primeira vez, já que no primeiro turno fez valer o seu direito opcional de não votar, votava. Nossas seções eram diferentes. Ao terminar de votar, encontrei Luiza à minha espera, e já tendo ela votado.


Sorri e disse à ela: e aí, gostou de exercitar o seu dever cívico do voto?

Ela retribuiu o sorriso e me respondeu: direito, pai. Prefiro pensar mais como um direito do que como um dever.

Talvez na resposta de minha jovem filha resida muito da explicação do por quê uma mulher tenha sido eleita presidente deste país, tão adorável quanto improvável.




Escrito por Marcos Pardim às 20h55
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