Caraminholas
   PEQUENA AMOSTRAGEM DE UM ESTADO DE ESPÍRITO

Amanhã é 3 de outubro. Dia de eleições. Ao amanhecer, me dirigirei à escola onde voto desde a primeira vez que votei, na mesma seção. Teclarei alguns números, que muito embora me garantam a premissa de mantê-los secretos, não me furto em declará-los: votarei em Dilma Rousseff para presidente; Aloizio Mercadante para governador; Marta Suplicy e Netinho para Senadores; Célio Turino para Deputado Federal; e Gabriel Bitencourt para Deputado Estadual. Todos são do PT ou do PCdoB, partidos coligados e que, por conta disso, justificam as minhas escolhas.

Voto em uma proposta de governo. Isso implica dizer que, em alguns casos, até teria preferência por um ou outro nome. Mas não acredito no voto individual, pessoal. Política (melhor dizendo: políticas públicas) não se faz com "heróis", muito embora existam vários deles espalhados por aí, Quixotes da existência - tão imprescindíveis quanto inúteis, no caso de suas ações necessariamente precisarem da Política como meio para se alcançar os determinados fins.

As campanhas, por ora, darão um tempo. Um alívio para nós. Em meus 47 anos de idade não me recordo de uma campanha tão sórdida, rasteira, suja e lamentável. Algumas pessoas, ainda que não sejam eleitas, certamente sairão das urnas éticamente mais robustas. Outras, ainda que vitoriosas, levarão para seus respectivos poderes a podridão do que foi, é e, invariavelmente, será o seu modus operandi indecoroso - por não saberem ver o mundo de outra forma que não seja através do reflexo horrível do jogo de interesses, da covardia, da mão pesadíssima do capital enquanto comprador de consciências e modulador de atitudes.

Não creio em "políticos". Creio em mim. Em você. Em cada um de nós. Creio na força da sociedade civil. Esse conceito difuso mas determinante de uma gente que segue acreditando na Utopia nossa de cada dia, amém. A Utopia de que viver é lindo, não obstante a rudeza da vida. Somos uma gente suficiente. Suficientemente capaz de ser protagonista de sua própria história, seja ela escrita em virtudes ou em mazelas. Não precisamos de "intermediários" para a nossa felicidade ou desgraça. Somos, repito, suficientes. Capazes.

Quem, noves fora o voto, esse instrumento valioso de cidadania, faz a beleza ou a feiúra de um país somos nós. Por isso, repudio quem despreza, ironiza ou desqualifica a nossa suficiente capacidade de sermos o que quisermos ou conseguirmos ser. Não por outro e imperativo motivo, votarei em quem declarei lá na cumeeira desse texto.

Independente dos resultados, individualmente ganhando ou perdendo as eleições, depois de amanhã, ao amanhecer, algumas convicções farão parte de meu dia a dia no exercício laborioso de civilidade. Alguns partidos e políticos se tornarão, sob minha ótica, exemplos bem acabados do que mais abominável a nossa frágil condição humana é capaz de produzir.

Outra tristeza, ferida dolorida e de difícil cicatrização, é o papel de boa parte da mídia. Adoro jornalismo. Adoro jornais e revistas. Alguns jornalistas: Marcos Faermam, Mauro Santayana, Luiz Macklouf Carvalho e tantos outros ajudaram a moldar a "carcaça" intelectual desse blogueiro mal ajambrado. Mas nessas eleições, a imprescindível liberdade de imprensa serviu de "máscara" para inconfessáveis desejos corporativistas. Ainda assim, muito melhor do que no tempo obscuro da censura das ideias. Que a democracia sirva também para uma reflexão séria da imprensa. Que ela siga livre. Porém, responsável. Com nossos candidatos eleitos ou não, ganharemos todos se assim a imprensa agir. Ela nos é importante demais para que nos trate assim, tão desleixadamente irresponsável.

Bom domingo a todos nós. Votemos em paz e em alegria. E sejamos tolerantes e sensatos com os resultados, sejam eles quais forem

 



Escrito por Marcos Pardim às 20h32
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