Caraminholas
   APENAS ALGUMAS PALAVRAS DE DESABAFO

Sou paulista. Isso me leva a testemunhar que aqui em meu estado, educação, cultura e cidadania estão em frangalhos. É de termos pena de nós mesmos. Calamidade e indecência são dois possíveis adjetivos, receio que ainda brandos, para descrever a real situação de meu querido estado, onde nasci e vivo. Um desabafo: é quase insuportável conviver com a realidade educacional, cultural e cidadã imposta a nós pelos sucessivos governos que a quase 30 anos (alguns preferem dizer 16, numa espécie de amnésia seletiva que ignora a quem pertenciam aqueles que nos governaram já nos primórdios dos anos 1980). Você que, por acaso, possa estar me lendo agora, e que é de outro estado, talvez nem consiga imaginar o grau de descalabro a que foi relegado em São Paulo (estado) esse tripé fundamental para a possibilidade civilizatória nossa de cada dia, amém. Nem nós, paulistas, intuo termos condições efetivas de avaliação do tamanho do estrago. A mídia daqui não repercute, não ecoa. Os motivos disso, que cada um chegue às suas próprias conclusões. Mas o fato é que, sob minha ótica de cidadão (e não de partidário político, coisa que, a bem da verdade, não sou, muito embora, por vezes, imagino devesse ser) já passou da hora de meu estado natal repensar o seu papel no desenho geopolítico federativo. Chega de "comermos mortadela e arrotarmos peru", de nos considerarmos melhores do que os outros, de que somos a "elite pensante" da nação e que daqui saem as melhores cabeças. Passou da hora de assumirmos nossas mazelas sociais e deixarmos de escondê-las. A tão decantada "qualidade de vida paulista" é, sob vários aspectos, um engodo e uma ilusão. São Paulo padece seriamente de um complexo de superioridade, descaradamente refletido no comportamento da mídia, que muito nos impede de aceitar que educacionalmente e culturalmente (a menos que consideremos shows e eventos artísticos o supra-sumo da cultura) estamos a anos-luz do que possa ser minimamente entendido como aceitável. Decerto, há quem ganhe com esse estado de coisas. Há quem se orgulhe disso. Eu, não. Paulistanamente, me envergonho.



Escrito por Marcos Pardim às 09h29
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