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APRENDIZ
na mais absoluta falta de ter o que dizer, digo apenas que vejo. que olho. que atento. embora quase nunca note. se pudesse, por cada canto que estivesse, me instalaria em uma confortável cadeira, estrategicamente colocada na calçada, para somente observar. fotografar com os olhos. revelar com a alma. [ se alma tivesse ] da falta de ter o que dizer, me vem um desejo de dizer que minha obsessão pelo outro advém do fato de que ele, somente ele {o outro}, foi, é e será apto a enxergar em mim a virtude que eu jamais fui, sou ou serei capaz de sequer intuí-la, quanto mais sabê-la ter. se me dado fosse ensinar algo a meus filhos, ensinaria-os a amar. o outro. é nele que reside a sabedoria.
Escrito por Marcos Pardim às 21h28
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A arte quando encanta e arrebata
"Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem-vindos ao Teatro Mágico". Assim, ouvindo estas palavras, fui apresentado a um moço de cara pintada, vestido em trajes circenses, e que havia acabado de adentrar ao palco. Daquele momento adiante, e ao longo dos próximos e aproximados sessenta minutos seguintes, o que eu viria a ver e a ouvir me levariam a sair do CEUNSP (faculdade aqui de Salto, cidade onde vivo) com uma forte e gostosa sensação de encanto e arrebatamento. A trupe do Teatro Mágico, que eu desconhecia e ignorava completamente, seria responsável por me fazer voltar a sentir o que há muito não sentia, enquanto espectador de alguma apresentação ou manifestação artística. Ao puxar pela memória, relembraria que a última vez que, encantado e arrebatado assisti a algum espetáculo cultural, terá sido a peça teatral Dorotéia Minha, monólogo encenado pela atriz Beth Goulart - e disso já lá se vão alguns bons 4 ou 5 anos. Ali, em pé, ao lado de uma multidão de gente, a maioria jovens, muitos deles ostentando narizes de palhaço, caras pintadas e, surpreendentemente para mim, com as letras decoradas das músicas cantadas ou dos poemas declamados durante o show, assistia eu a um contagiante clima de alegria e a uma completa entrega dos artistas da trupe. Uma verdade artística me pareceu estar ali, diante de mim, dialogando comigo, me estendendo a mão e me convidando a ir com eles. Aonde? Ainda não sabia. Música, teatro, dança, literatura e artes circences misturados, a serviço de uma proposta anárquica, irreverente, contestadora e absolutamente crente na salada de ritmos, na diversidade da cultura e na pluralidade da arte. Com um roteiro que primava pela generosidade, toda a anarquia misturada no palco era merecedora de especial atenção. Até mesmo aquilo que, em tese, pudesse ser considerado menos importante ou mera figuração era valorizado. Um cuidado delicado com os adereços de cena. Uma força no realce do colorido e uma total informalidade na concepção da marcação cênica. Tudo isso passeando ali, diante de mim, para colírio de meus olhos e sopro para meu espírito. E eu ia gravando na mente os refrões, os versos, enquanto o vocalista e líder da trupe, Fernando Anitelli, conduzia uma indignação artística que me parecia já um tanto quando demodê, uma preocupação social tornada tema artístico, no entanto sem dramas nem lamentações. De repente, um número de malabares introduz o fogo, a pirofagia, como símbolo de algo sério, reflexivo. A vida parece mesmo ser feita de som e fúria. Tudo parece suspenso. Um quase. Por um fio. Mas a poesia, o lirismo e a alegria se encarregam de cumprir o papel da fé e da esperança, sobretudo em nós mesmos. Há tempo, inclusive, para que a trupe faça apologia do software livre, de dizer que as músicas, todas, estão disponíveis para baixar na internet e a chamar a atenção para a importância vital que a informação possui em nossos dias. Pedem que prestemos atenção à Conferência Nacional de Comunicação que irá ocorrer no Brasil e, se pudermos, participemos das discussões sobre o tema, via internet. Internet, aliás, que é a ferramenta capaz de ter produzido um novo fenomêno. Eles, que não tocam nas rádios (conceitualmente, "por não aceitarem pagar jabá") nem têm contrato com alguma poderosa gravadora ou distribuidora. O que não os impede de, em seus shows, arrebanharem uma multidão, sobretudo jovens internautas, capazes de dominar suas imensas possibilidades de comunicação ágil, e que eu, analfabeto funcional virtual, praticamente desconheço. Confesso: me encantei e permaneço encantado com o trabalho artístico da trupe do Teatro Mágico (www.oteatromagico.mus.br) . Deixo para eles a incumbência de dar fim a estes rabiscos preguiçosos, como convém a qualquer dia de feriado como esse de 21 de abril, com trechos de duas letras: De ontem em diante ("E se antes um pedaço da maça / Hoje quero a fruta inteira / E da fruta eu tiro a polpa / Da puta, eu tiro a roupa / Da luta eu não me retiro / Me atiro do alto / E que me atirem no peito / Todo dia de manhã é nostalgia / Das besteiras, das besteiras e das besteiras que fizemos ontem") e Sintaxe à vontade ("Façamos parte do contexto da crônica / E de todas as capas de edição especial / Sejamos também o anúncio da contra-capa / Mas ser a capa e ser contra-a-capa / é a beleza da contradição / é negar a si mesmo / e negar a si mesmo é, muitas vezes, encontrar-se com Deus / com o seu Deus...". Obs: Dia desses, mais precisamente em 11/04, assisti, em Piracicaba(SP), a uma nova apresentação do Teatro Mágico. Tornei a gostar um tanto do que vi e ouvi, muito embora tenha saído com uma ligeira impressão de que o "sucesso" pode estar perigosamente subindo à cabeça. Uma outra colocação é que achei os arranjos excessivamente baseados no rock, o que descaracteriza bastante o talento da trupe em transitar pela diversidade dos gêneros musicais.
Escrito por Marcos Pardim às 18h32
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HÁ NOITE EM SEU SERTÃO
viva em paz. eis aí, mais do que um mantra de fé ou um condoído desejo, uma esfinge. entre tantas que a vida põe à mostra em seu variado e sortido balcão de negócios & oportunidades. opte-se pela ação. ou pelo omitir-se. não há possibilidade de alteração do resultado na escolha. viver sempre haverá de ser veredamente perigoso. o monocórdio dia a dia da existência não se acanha em nos impor combates, sejam eles bons ou maus. internos ou externos. na parte que lhe toca deste latifúndio, há lutas pelas quais se configura impossível não pelejá-las. mas, não importa. vitorioso ou derrotado, impossível quaisquer variantes: sempre haverá de destinadamente se sentir vencido. se não por nada, pelo imenso cansaço. de viver. heroicamente tentando desvencilhar-se da infinita nostalgia da trégua. lenço branco acenando com a possibilidade do fim.
Escrito por Marcos Pardim às 21h20
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COLOMBA PASCAL
quando amanheceu, os filhos desejaram-lhe boa páscoa. brincaram. riram. se abraçaram. e se beijaram. não. ser pai, assim como ser mãe, não é padecer em um paraíso. tampouco, queimar-se no fogo do inferno. mas, que filhos trazem em si um pouco da essência da páscoa, isso lá parece ter um tanto de verdade. neles, ressuscitamos um pouco a cada dia.
Escrito por Marcos Pardim às 10h42
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CARTA ABERTA
Se você, avis rara leitor(a), acha que Cultura é artigo de luxo nem perca seu tempo em pousar teus olhos nas letras que seguem abaixo. Agora, se assim como este operário aqui, acredita que Cultura faz parte do kit básico de sobrevivência nosso de cada dia, leia a carta que a Comissão Paulista dos Pontos de Cultura escreveu. Reproduzo-a, na esperança de que mais gente se habilite a combater um bom combate. E, quem interessar possa, preste atenção também nas discussões que estão ocorrendo a cerca das mudanças propostas para alterações na Lei Rouanet. Prezad@s senhor@s O Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC), compartilha com a sociedade civil as responsabilidades em relação à cultura, a educação e a cidadania. Incentiva a preservação e promove a diversidade cultural brasileira, além de contemplar iniciativas culturais que envolvem comunidades, arte, cultura, cultura digital, cidadania e economia solidária. Por meio da Secretaria de Programas e Projetos Culturais (SPPC), o MinC iniciou, em 2004, a implantação dos Pontos de Cultura, com a missão de “desesconder” o Brasil, reconhecer e reverenciar a cultura viva de seu povo.
Pela primeira vez num programa do Ministério da Cultura vêem-se novas culturas entrando em cena, falando de nossas origens, histórias e mitos, e que não tem vergonha de se dizer brasileira – trata-se de um processo de empoderamento.
Índios, comunidades quilombolas, comunidades ribeirinhas, caipiras, periferias e demais grupos afirmam suas tradições pelo significado que elas têm. O programa Cultura Viva contribui no compartilhamento e na fruição dessas tradições e seus significados.
De Norte a Sul e de Leste a Oeste, em 26 estados e no Distrito Federal, em aproximadamente 300 municípios, o Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, contempla atualmente mais de 825 pontos de cultura, com a previsão de chegar a mais de 2.000 pontos até 2010, de acordo com os editais já abertos em todo o país.
O Programa Cultura Viva é uma rede horizontal de articulação, fruição e disseminação da cultura brasileira, funcionando também em temáticas transversais que perpassam vários conceitos, integrando-os via manifestações socioculturais. Através do reconhecimento de dezenas de iniciativas culturais desenvolvidas no país, chamados Pontos de Cultura, o Programa visa garantir a expressão da pluralidade brasileira na construção de uma memória presente, através das novas possibilidades de difusão e acesso à cultura.
Os Pontos de Cultura são espaços culturais da sociedade civil que recebem recursos para continuar e potencializar seus trabalhos. O objetivo deste programa é valorizar as variadas manifestações culturais do país, reconhecendo a cultura em toda a sua complexidade, desde as que ocorrem nas grandes cidades, em favelas e periferias, às que se encontram em pequenos municípios, ou em aldeias indígenas, assentamentos rurais, comunidades quilombolas e universidades. Cada Ponto de Cultura deve ser autônomo, empoderador e protagonista da sua realidade.
Em meio a este universo dos Pontos de Cultura a Comissão Paulista dos Pontos de Cultura - CPPC - se constituiu no primeiro Fórum dos Pontos de Cultura do Estado de São Paulo, realizado na cidade de Diadema em 18 a 21 de Abril 2008. A Comissão é composta por delegad@s eleit@s em plenária que estão divididos regionalmente: em macros e micros regiões, além de consultores e observadores.
A atual missão da CPPC – Comissão Paulista dos Pontos de Cultura é “Representar o movimento dos pontos de cultura do Estado de São Paulo e seus interesses coletivos, manifestos conforme as premissas do Programa Cultura Viva, no sentido de consolidar um Modelo de Política Pública de Estado para a Cultura do Brasil, sendo essa a nossa principal bandeira”, E seu objetivo é organizar de forma colaborativa e compartilhada o movimento dos Pontos de Cultura de São Paulo, com a finalidade de potencializar suas ações em busca de sustentabilidade.
Queremos garantir que esse Programa se torne um Projeto de Lei, já que intervém na democratização dos meios de produção e acesso da cultura, valoriza as demandas produtivas de parcelas da população que não estavam contempladas por outras formas de investimento, e não eram valorizadas, não tinham visibilidade. Entendemos também que o Programa Cultura Viva representa um novo modelo de tecnologia sociocultural, que confronta os padrões produtivos hegemônicos, e se destina a reconhecer a latente criatividade e afirmação que outros atores sociais produzem: cultura, representação simbólica e identidade do povo brasileiro.
Acreditamos que o Programa, ao incorporar novos atores que reconhecidamente despertam para um novo formato de execução e disseminação de sua produção cultural, cria um ambiente - que aproxima os atores do Estado e de seu funcionamento, visto como quem inicia todas as cadeias produtivas da cultura - onde a experiência no acesso às tecnologias produtivas não são apenas importantes ou como registro no campo do direito, mas condição essencial para a participação no processo de formulação de políticas públicas plurais e afirmativas. O Programa estimula a criatividade, potencializando desejos e criando situações de encantamento social, por meio dos Pontos de Cultura.
O Programa Cultura Viva - os Pontos de Cultura - firmaram parcerias com diversos estados e municípios do Brasil, de vários partidos políticos, para o lançamento de novos editais e ampliando a rede dos Pontos de Cultura.
“A implantação do Programa prevê um processo contínuo e dinâmico, e seu desenvolvimento é semelhante ao de um organismo vivo, que se articula com os Pontos de Cultura pré-existentes. Em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas locais, o programa estimula a criatividade, potencializando desejos e criando um ambiente propício ao resgate da cidadania pelo reconhecimento da importância da cultura produzida em cada localidade. O efeito desejado é o envolvimento intelectual e afetivo da comunidade, criando uma mágica motivadora na qual os cidadãos sentem-se, cada vez mais, estimulados a criar e participar/.“ - SITE MinC
Vemos que este Programa tem potência para se tornar uma Política Pública que seja de fato democrática e participativa. Reforçaremos a campanha pela transformação do Programa Cultura Viva em Lei e política de Estado.
Defendemos a inclusão da cultura no capítulo dos direitos sociais da constituição brasileira, a implantação do sistema nacional de cultura, a ampliação e democratização do financiamento público para a atividade cultural.
Cultura como direito de cidadania e dever do Estado!
Cidadania Cultural como direito de todos!
Atenciosamente,
Comissão Paulista dos Pontos de Cultura
Escrito por Marcos Pardim às 14h27
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