Caraminholas


PEQUENO SERMÃO SEGUNDO MARCOS

seja pela culpa. ou como desculpa. tudo sempre haverá de acontecer por ele. ou pela falta dele.

por isso, bem-aventurados aqueles que sabidamente seguem o meio-fio. não se desviam. nem se perdem pelas rotatórias.

bem-aventurados aqueles a quem as setas apontam. que num átimo de segundo antes, por uma nesga do verbo, o gêneses deixou escapar a sugestão do amor.

bem-aventurados os que assim o acatam. por inteiro. ou aos estilhaços.

bem-aventurados.



Escrito por Marcos Pardim às 20h52
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QUANDO ME DIZEM PF, PENSO LOGO NA DEFINIÇÃO PARA PRATO FEITO

Soa-me por demais estranha a situação de imbroglio a que se chegou a famigerada "Operação Satiagraha". Os investigadores, segundo boa parte da mídia, seriam "bandidos" piores do que os investigados.

Até há alguns anos atrás, leituras diárias de jornais levavam-me à páginas e páginas que descreviam ações pirotécnicas da Polícia Federal centradas no narcotráfico. Autoridades e policiais federais, era comum, posavam ao lado de cenas onde a queima ou a apreensão de grande quantidade de drogas eram o supra sumo midiático, a ocasião dos sonhos de qualquer diretor ou delegado da PF mais sensível aos holofotes.

Depois, de uns cinco anos para cá, os nomes exóticos das operações federais passaram a denominar investigações dos chamados crimes do colarinho branco. Em minha santa ingenuidade e falível intuição, imagino que essa mudança de rumo da PF tenha sido bastante interessante - talvez até patrocinada - para algum grupo poderoso, presumivelmente os que estavam no leme do Planalto Central.

Enquanto estas operações atingiram a políticos e/ou empresários ligados à concorrências públicas (ou  à falta delas) de restrito e exclusivo interesse deste mesmo grupo, a PF e seus bravos representantes legais, fossem eles delegados ou procuradores, tudo ia muito bem. Mas o ser humano é imprevisível. É mesmo bem capaz de tomar gosto por aquilo que está fazendo, e querer fazer ainda mais - e melhor.

A PF passou a investigar outros políticos, outros empresários, outras figuras sinistras de nosso sinistro espectro político nacional. Tenho a impressão de que a PF, sob a ótica deste grupo, "fugiu dos trilhos", "saiu da linha". E eles devem ter chegado à conclusão do quanto eram felizes e não sabiam no tempo em que a PF se lambuzava no mel das grandes apreensões, das megas cenas fotografadas e filmadas de queima de drogas.

A "Operação Satiagraha", cujo delegado responsável era tido e havido, incensado até pela mídia, como um dos mais brilhantes quadros da PF, me parece ser emblemática desta "perda de controle", já que a Polícia Federal foi mexer onde provavelmente não devia. A campanha difamatória e a avalanche de destaque que se tem dado aos possíveis erros do tal delegado, e de alguns outros envolvidos na operação, me parecem bastante suspeitas.

O envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, então, me soa obsceno. Procuro fugir das tais "teorias conspiratórias", mas que Daniel Dantas e os demais investigados devem ser figuras muito mais nocivas e perniciosas à sociedade do que o tal delegado, e do que o procurador da Justiça, que querem nos fazer crer bandidos, não tenho dúvidas. Embora isso lá, de eu não possuir dúvidas, não tenha também nenhuma importância.

Importante seria o ministro Gilmar Mendes prestar explicações sobre o seu Intituto Brasileiro de Direito Público (IDP), que mantém contratos sem licitações com órgãos públicos. Mais ainda, sobre a sua mais recente atitude de ordenar a retirada do ar de um programa de entrevistas da TV Câmara, onde três jornalistas debatiam a tal da operação do delegado Protógenes Queiroz e levantavam questionamentos sobre a sua conduta e sobre o tal grampo a que supostamente teria sido vítima, que alguns órgãos de imprensa garantem existir, mas nunca ninguém ouviu o áudio para certificar-se de sua existência. Afirmam que o ministro foi grampeado e pronto. E quem duvidar, que vá chorar na cama que é lugar quente e estamos conversados.

O ministro deveria ser mais cuidadoso no trato com a Democracia. Ela nos é um bem por demais valioso para sofrer ataques deste tipo, ainda mais vindos de quem veio. Arbitrariedades e censura não deveriam constar do dicionário jurídico de um país que se diz democrático. Alguém deveria dizer isso ao ministro, respeitosamente mas garantidamente sem correr riscos de temores e retaliações, mais condizentes com outra nefasta maneira de se conduzir politicamente uma Nação.

Intuitivamente, receio que entre Gilmar e Protógenes, no infeliz picadeiro nosso de cada dia,  Daniel é quem dará o último sorriso.

P.S. O plantão deste blog informa que, às 14h de hoje, 24 de março, teve acesso a parte do conteúdo da sabatina da Folha realizada com o ministro Gilmar Mendes. Segue um trecho, retirado da Folha Online, escrito pelo jornalista Thiago Faria.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, criticou nesta terça-feira o fato de haver suspeitas sobre escutas clandestinas no seu gabinete, em Brasília. Segundo ele, mesmo com a não confirmação do grampo, havia um quadro de descontrole naquele momento no país que tornou o episódio "verossímil".

Nota do blogueiro: ok!, ficamos assim, então: o criminoso grampo tratou-se na verdade de um "episódio 'verossímil', pelo fato do descontrole daquele momento. Levado ao extremo, esse argumento torna "verossímil" tanta coisa inverídica. Basta creditá-las ao "descontrole". E "descontrole" pra justificar é o que não nos falta. Depois destas palavras do ministro, acho que a parte da imprensa que vendeu o grampo como favas contadas deve uma boa explicação à sociedade. A começar pela revista Veja. Sou leitor dela, e na próxima semana espero encontrar nas suas páginas algumas linhas sobre este teu "furo", para não ser indelicado.



Escrito por Marcos Pardim às 19h32
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INSTANTÂNEO

as tampinhas que vive a chutá-las. as bitucas, a recolhê-las. a sarjeta como seta indicativa do caminho.

existência definida e desenhada em pontos cardeais, há quem possua os olhos inevitavelmente mirados ao sul.



Escrito por Marcos Pardim às 12h29
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SOBRE SEXTAS E 13

Hoje é sexta, 13.

Há quem, por isso, bata na madeira, desconjure, pé de pato, mangalô três vezes. Eu, não. Gosto de sextas. Simpatizo com 13, aliás dia da palmada médica no bumbum e do primeiro dos tantos choros que viria e ainda virei a me esgoelar. Juntos, então - sexta e 13 -, que venham todas as bruxas. As de Salém, de Salto, do Brasil e as de todos os cantos. E que elas estejam a ferventar amizades, bom humor, bondades, gentilezas e delicadezas. Tal qual caldo de galinha, Jorge Benjor já nos ensinou, não fazem mal a ninguém.

E por absoluta necessidade, reproduzo abaixo a coluna de meu fictício e virtual compadre Xico Sá, publicada hoje no caderno de esportes do jornal Folha de São Paulo. Só ele mesmo, certamente porque envelhecido naqueles barris e tonéis que nos encharcam de atenção&carinho para com o outro, este nosso indispensável parceiro de jornada que, ao fim e acabo, vão dar mesmo em nada, pra sacar do coldre do duelo nosso de cada dia com a existência a ideia genial, na contramão do poderoso marketing, de valorizar um homem e sua cruz, um gol e sua possibilidade de redenção com a vida.

Uma vez que tensões e distensões fazem parte de qualquer atividade humana, vida longa ao Xico Sá e a todos aqueles que se embriagam das poções de generosidade e delicadezas humanas, demasiadamente humanas.

Sai Ronaldo, entra Jardel

 

Herói do Grêmio e do Porto também ressurgiu das cinzas com um gol à la Fenômeno no Campeonato Cearense

AMIGO TORCEDOR , amigo secador, praticamente no mesmo momento em que Ronaldo deixava o Pacaembu sob justos vivas, salve, salves e oxalás da Fiel, outro homem-gol internacional, o Jardel, retornava aos campos após longa temporada no inferno.
Se Ronaldo, craque com firma reconhecida em todo o mundo, fez dois tentos à moda Jardel no seu projeto Fênix, coube ao grandalhão, herói do Grêmio e do Porto, ressurgir das cinzas com um gol à la Fenômeno. Eram quase 40min do segundo tempo quando o SuperMário, como é conhecido em terras lusitanas, deu um toque sutil, lindo, lindo, e encobriu o goleiro Tony, do Quixadá, Ferrim 2 a 0. O Tutuba, mascote do time da linha férrea, o Tubarão da Barra, abraçou o eterno 9 coral como a mãe que acolhe o bom filho que à casa torna -após bíblicos 18 anos.
Seria como se Ronaldo, em vez do Corinthians, estivesse ressurgindo no São Cristóvão, suburbanos corações ludopédicos da Guanabara. No primeiro gol do Ferroviário, nove vezes campeão cearense, o espanador-da-lua já havia sido o autor intelectual do crime. Foi ele quem atraiu a atenção dos canarinhos para deixar Léo Jaime livre para tirar o garoto-do-placar do sono profundo.
O Elzir Cabral, estádio do Ferrim para 5.000 almas, não devia contar com 10% do público do Paulo Machado de Carvalho, mas o foguetório e a zoada foram tão grandes quanto nas várzeas de Piratininga.
Se Ronaldo estava consolidando mais uma de suas belas voltas por cima, amparado por uma moral que reúne fé popular, marketing e a bocarra gananciosa dos executivos da Globo, Jardel tentava apenas sair do inferno à vera, o inferno dos que esperneiam por uma mão amiga. Como o outrora Rei de Portugal confessou às latinhas e câmeras, só mesmo a cocaína, a dita caspa do capeta, foi sua companheira inseparável nos últimos tempos. Perambulou em Santa Catarina e Goiás, após o giro europeu que incluiu Turquia, Inglaterra e a Segundona da Itália.
Desceu aos infernos mesmo, velho Dante, com uma das mais cruéis combinações que pode chegar às narinas de um homem: desilusão amorosa, por pura sabotagem em nome do crime noturno, e o pó branco que fornece a ilusão da bela vida.
Jardel, 35 anos, idade do meio do caminho de nossas existências, segundo o poeta da "Divina Comédia", ao entrar no campo parecia esticar o pé direito rumo ao purgatório. Para o autor de gols feios e importantes dos seus times, normalmente as cabeçadas que furavam a camada de ozônio, mais do que o futebol o que importa é a recuperação do homem.
Quem sabe aquela bela gaúcha que ele ama até hoje e perdeu por besteiras próprias, quem sabe um dia também não volta, um dia, quem sabe, o futuro a Deus pertence, assim como o inesquecível faro de gols desses caras que nasceram para mandar lá dentro mesmo quando parecem gordos como tatus-bola.
E, com toda a vênia da torcida fanática do Ferrim, como Jardel cairia bem no Grêmio que tem perdido os gols mais feitos do mundo. Que tal, amigo Peninha, resgatar o ídolo? O Sandro Goiano, do Sport, nem você cantando o "por favor, devolva-me" da Adriana Calcanhoto. O tosco é nosso, rei do Pernambucano, eu vi primeiro, ninguém tasca.



Escrito por Marcos Pardim às 09h39
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DOIS DIÁLOGOS REAIS, ALGUNS IMAGINADOS E UMA FRASE DORIDA

Cenário para os dois diálogos reais: meio-dia, saída de um colégio estadual, área central da cidade. Uma multidão de adolescentes, atropelos, gritos, algazarra, palavrões em profusão, um guarda civil que controla o trânsito, cheiro de maconha vindo de uma das direções, alguns motoristas que insistem em não respeitar a faixa de pedestres.

Diálogo primeiro: dois meninos, 14, 15 anos, uniformizados, conversam. Eu ouço:

Menino 1: "(...) é que meu treis oitão tá descarregado... tô sem bala..."

Menino 2: "Porra, escorrega lá em casa, tenho umas balas, lá. É pra deitar aquele pivete que você falou outro dia?"

Menino 1: "É... ele é da turma do Sabão. Saca o Sabão? Tá vendendo droga lá no bairro... e o malaco tá fazendo vaporzinho pra ele... Vou escorregar por lá, então. Passo na sua casa hoje à tarde, pode ser? De hoje ou amanhã, não passa... deito ele".

Menino 2: "Valeu, mano véio... te espero lá em casa... vai cum Deus...".

Diálogo segundo: Cinco adolescentes conversam. Três meninas e dois meninos. De repente, não ouvi bem o por quê, uma delas diz, bem alto:

- "foda-se, caralho... a buceta do celular é meu e eu faço o que quiser...".

Me ponho a pensar sobre as últimas notícias produzidas pela política nacional: José Sarney na presidência do Senado; Michel Temer, da Câmara dos Deputados; Fernando Collor em uma destas tantas comissões... Penso também que, semana passada, por motivos profissionais, pela primeira vez na vida (receio que não tenha sido a última, meu Deus!) adentrei à uma Câmara Municipal para fazer uso da Tribuna Livre. Fico a imaginar os diálogos que não ouvi, aqueles de bastidores. Acho que não teria a mesma desenvoltura em publicá-los. Talvez fossem mais indecorosos dos que os descritos acima. Ou talvez, não. Talvez fossem similares, apenas mais indecentes, pois que protagonizados não por crianças ou adolescentes, tão perdidos e inúteis quanto este rabiscador que vos fala, e sim por senhores e senhoras legalmente empossados e poderosamente instituidos - não obstante a quase certeza de que moralmente incapacitados para exercer qualquer coisa na vida.

"Esquecemo-nos de que não há nada como o homem para desmoralizar uma utopia". Ruy Castro (Inocentes e Indefesas, FSP, 04/03/09).



Escrito por Marcos Pardim às 09h17
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