Caraminholas
   DE QUANDO GUARDANAPOS SUGAVAM LETRAS E DEPOIS SE PERDIAM POR AÍ

e quem há de conseguir encontrar um meio de endurecer este tão amolecido coração, capaz de fazer de suas sístoles e diástoles um afagar sem-fim, um carinhoso passar de mãos por sobre tão desastrada cabeça, esta que pensa e repensa ser tão indispensável saber que errar é humano, tão humanamente previsível e compreensível, que de outro jeito viver não fosse tão merecidamente passível.

*** da série palavras um dia agrupadas e esquecidas no desmaio do tempo



Escrito por Marcos Pardim às 16h59
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   GUSTAVO KUERTEN

Au revoir, Guga!!! Por que foi em francês que te vi desenhar um coração no chão de saibro e também  reverenciar um ídolo que veio te entregar o troféu de campeão. 

Felizmente, há pessoas que nos fazem chorar, felizes... Obrigado por ter me dado essa felicidade.



Escrito por Marcos Pardim às 15h09
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   TATI CANTA PORQUE É FELIZ

Como faço uma vez ou outra, quando assim o tempo permite, entro na sala dos alunos portadores de necessidades especiais para visitá-los.

Como sempre, Tati canta uma música, enquanto manuseia letras soltas por sobre uma folha branca de papelão. Diz que vai escrever meu nome. Enquanto tateia - Tati é cega, além de conviver com uma (s) outra (s) patologia (s) mental (ais) que, confesso, não sei bem quais sejam.

Repouso uma de minhas mãos sobre teu ombro direito. Ela silencia. Pergunto que música é essa que está cantando tão bonita. Ela sorri, e diz que é da dupla Sandy e Júnior. Digo que esta deles eu não conheço, mas que uma que diz "vamos pular, vamos pular", eu conheço. Ela, então, canta esta para mim. E continua a juntar as letras que a ponta de seus dedos identifica como sendo as de meu nome.

Que mais você gosta de cantar?

Eu? Do Zezé de Camargo e Luciano, do Leonardo...

Canta uma do Zezé de Camargo e Luciano, peço-lhe. Ela canta. Repito o comentário feito para a música de Sandy e Júnior, acrescentando que conheço aquela que fala assim: "é o amor...". Ela, pra variar, canta um trecho desta também.

Resolvo comentar com ela que sempre que a vejo ela está cantando. Por quê?, questiono.

Porque sou feliz, ela responde.

Sinto minha cabeça balançar, engulo um pelote intragável de saliva e lentamente retiro minha mão de seu ombro. Despeço-me e saio.

No corredor, como que querendo me apossar da felicidade de Tati, recordo-me de uma canção de Lenine e começo a cantarolá-la:  malucos e donas de casa / vocês ai na porta do bar / os cães sem dono, os boiadeiros / as putas babalorixás / os gênios, os caminhoneiros / os sem terras e sem teto / atores / diretores / djs / os undergrounds / os megastars / os rolling stones e o rei / ninguém faz idéia de quem vem lá, ninguém faz idéia de quem vem lá...



Escrito por Marcos Pardim às 22h37
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   A CULTURA A SERVIÇO DA GENTE

MOBILIZAÇÃO NACIONAL APOIO AO PL 2145/2007, QUE REGULAMENTA A ATIVIDADE  DAS PARTEIRAS TRADICIONAIS DO BRASIL, E EM REPÚDIO AO DEPUTADO DR.SÉRGIO NECHAR (PV-RJ), RELATOR DO PROJETO, QUE EMITIU PARECER CONTRÁRIO À SUA TRAMITAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL.
SOLICITAMOS VOSSO APOIO E ASSINATURA À CARTA QUE SEGUE LOGO ABAIXO, RESPONDENDO ESTA MENSAGEM PARA O EMAIL euacreditoemparteiras@gmail.com
obrigado,
 
Alexandre Santini (21)95050812
Ação Griô Nacional
Fórum Nacional dos Pontos de Cultura
 
 
Olinda, 12 de maio de 2008 
 
Exmo Sr. José Gomes Temporão, Ministro da Saúde
 
Exma. Sra  Nilceia Freire, Ministra da Secretaria especial de política das mulheres
 
Exmo. Sr. Arlindo Chinaglia, Presidente da Câmara dos Deputados
 
Exma.  Sra Sandra Rosado, líder da bancada feminina no Congresso Nacional
 
Ilma Sra Regina Viola, coordenadora da área técnica de saúde da mulher do Ministério da Saúde
 
Estamos encaminhando esta carta para expressar o nosso repúdio à posição do Exmo. Dr Sérgio Nechar, médico e deputado federal pelo PV de São Paulo, que emitiu parecer contrário ao Projeto de Lei 2.145/ 2007, de autoria da Deputada Janete Capiberibe (PSB/ AP), que reconhece e regulamenta a atividade das parteiras tradicionais no Brasil. O Dr.  Nechar, relator do referido projeto,  alega compreender a importância do trabalho das parteiras, porém NEGA a continuidade da sua tramitação  por considerar que "as práticas das parteiras não são ideais". Essa é sua justificativa.
 
As práticas das parteiras não são ideais para quem? Serão por acaso ideais as práticas e as condições que a população brasileira encontra em seu atendimento pelo sistema público de saúde? Quais são as práticas ideais  para a saúde das mulheres brasileiras?  Para a saúde das comunidades quilombolas, indígenas e rurais deste país? Para o atendimento das necessidades das comunidades de periferia dos grandes centros urbanos? Qual seria a prática ideal na opinião dos senhores parlamentares que nasceram de parto natural e com parteira?
 
Será que o ideal é as mulheres desistirem de seu poder de decidir pela possibilidade de um parto humanizado e natural? Será que a hospitalização da gestante e a proliferação da cesáriana como procedimento cirúrgico corriqueiro são práticas ideais em nosso país? Devem estas mulheres que exercem o ofício de parteiras cortarem o fio de sua própria história? Devem desistir de ensinar a suas filhas a sabedoria ancestral de acompanhar o parto de outra mulher como um ritual natural da vida?
 
Imaginem que as parteiras parassem de trabalhar por considerarem que o Dr Nechar está certo. Imaginem a tragédia humana que isso representaria para parte considerável da população que não tem acesso aos serviços de atenção básica de  saúde, e tem nas parteiras a opção de um parto seguro e assistido. Há ainda grande parte da população, inclusive nos grandes centros urbanos, que opta pela assistência das parteiras e se sentirá usurpada no direito de terem seus filhos no seio de suas famílias.
 
 Os estudos que mostram os indicadores positivos de saúde relacionados com os serviços das parteiras são amplamente conhecidos e divulgados, e o próprio Ministério da Saúde na prática já reconhece e acolhe a atividade das parteiras no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Programa de Saúde da Família (PSF). Sabemos também que a atividade das parteiras está relacionada com a formação cultural, identidade e ancestralidade de nosso povo. E se quisermos analisar do ponto de vista econômico, a atividade das parteiras é completamente sustentável e onera muito menos o sistema público do que as práticas cirúrgicas e hospitalares associadas ao parto. E para aqueles que porventura questionarem os pressupostos "científicos" da atividade das parteiras, vale lembrar que o Brasil é signatário da Convenção da Nações Unidas para a Diversidade Cultural (UNESCO, 1995), que orienta os estados-membros a reconhecerem e apoiarem as práticas e saberes relacionados às tradições culturais, étnicas e sociais de seus povos.
 
Nós, em nome do Fórum Nacional de Pontos de Cultura do Brasil,  da Rede da Ação Griô Nacional,  da Rede Latino Americana de Trabalhadoras Rurais, e diversas outras organizações, coordenadores de projetos sociais, ongs, pesquisadores, educadores e profissionais de saúde que assinamos esta carta, viemos apoiar a luta do Ponto de Cultura Cais do Parto e da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, que reuniu recentemente em Olinda -PE cerca de 300 parteiras tradicionais do Brasil e da América Latina.  Solicitamos a revisão imediata do parecer da relatoria, e o encaminhamento urgente do projeto de lei 2145/2007 para votação no Congresso Nacional. De nossa parte, estaremos atentos e vigilantes, acompanhando este processo, esclarecendo a sociedade sobre o tema e mobilizando redes sociais de todo o país em apoio, solidariedade e reconhecimento à luta pelos direitos das parteiras tradicionais. Todo o poder emana do povo, e em seu nome será exercido.
 
Nota do blogueiro: Há um movimento cultural muito interessante acontecendo no país, graças ao Programa Cultura Viva, do MinC. E os chamados Pontos de Cultura (atualmente, 800 espalhados por todo o país) têm sido um instrumento bastante contundente em algumas lutas. Eu, que só me tornei "gente" por conta da Cultura e da Educação, fico emocionado e feliz de ver estes conceitos, aliados à Cidadania, sendo valorizados por um programa de Governo. Oxalá, a sociedade seja capaz de ajudar este programa se tornar um paradigma de políticas públicas e transforme-o em programa de Estado. A Cultura é, sim, o maior bem individual, a pérola da concha humana, a linha capaz de costurar o rasgado tecido social nosso de cada dia. Sabê-la ferramenta de lutas e conquistas diversas, muito me reconforta e, mais ainda, muito me reafirma, diria mais: me legitima enquanto cidadão.
 



Escrito por Marcos Pardim às 07h37
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   PAUSAS PARA MIM

 

Luiza, eu e Pedro

Extra! Extra! Extra! O plantão deste blog informa que o motor que empurra calçadas e esquinas a fora o esqueleto deste blogueiro fuleiro que vos fala, a partir de hoje, 13 de maio, muda a sua versão: passa a funcionar em 4.5. Embora haja quem advirta que envelhecer faz mal à saúde, já me viciei nessa porra. Todo ano envelheço um pouco, e não é que aprendi a gostar deste troço milagroso chamado existência?

 



Escrito por Marcos Pardim às 07h41
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   DE LÉO DO PEIXE PARA ANTONIO ERMÍRIO

Léo do Peixe (em 02/01/07, com o título de Ao Correr dos Dedos no Teclado, escrevi aqui um post que falava de seu Clube da Leitura, projeto cultural que ele mantém em Pirapora(MG), à beira do São Francisco, na insana tentativa de tentar livrar crianças e adolescentes do vício e da criminalidade) me mandou um email, agradecendo. Respondi, intrigado pelo comentário deixado tanto tempo depois. Ele me reescreveu, dizendo que somente agora está se familiarizando com a internet e descobriu meu blog no google. Me pediu um favor: que o ajudasse a divulgar mais uma de sua lutas. Desta feita, pela saúde do velho Chico. Ele escreveu uma carta ao dono da Votorantin e quer tentar fazê-la chegar até ele. Não creio que meu blog possa ajudar em muita coisa, mas cantarolar a bela canção de Caetano: Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia/... Velho Chico vens de Minas/ De onde o oculto do mistério se escondeu\/ Sei que o levas todo em ti, não me ensinas/ E eu sou só, eu só, eu só, eu... e publicar a carta eu posso: Eí-la:

"Prezado Antônio Ermírio,não nos conhecemos pessoalmente embora acredito conhece-lo bem a algum tempo, desde de quando morei um tempo em São Paulo e passava quase todos os dias pelo viaduto do chá em direção a av Rio Branco, nesta caminhada para o meu trabalho passava em frente ao escritório de sua empresa familiar e chegava a me emocionar sabendo da luta de sua família para construir aquele sonho, eu era seu admirador, eramos amigos sem nos relacionar-mos pelo respeito que tenho por quem trabalha e produz. este é um dos motivos que o parabenizo, o outro é a limpeza que sua empresa ajudou a fazer em nossa cachoeira aqui em Pirapora, nós haviamos iniciado em 2006 um multirão de limpeza do trecho dentro da cidade, o que foi possível a população fez, mas a tarefa não pôde ser feita nos nove sábados seguidos em que nós nos debruçamos sobre o nosso rio, rio que sendo "nosso" é também seu. Então o prefeito de Pirapora, com sua visão o procurou e a outras pessoas e empresas. Assim terminou a limpesa, nossa cahoeira ficou linda , a captação de agua melhorou, e etc.
Prezado Antônio, me permita assim chama-lo. Não me apresentei, sou um pescador profissional que vivo com minha família, esposa Analina e filhos, Gabriel de 8 e Isabela de 6 anos, aqui em Pirapora MG, tenho minhas raizes fincadas nestas barrancas, retiro meu sustento e da minha família que amo, de rios de nossa região, em especial do "nosso" velho chico, este é um dos motivos que me faz lutar por ele, outro é o fato de querer que ele esteja aqui e por seu caminho até o mar, vivo, dando agua a quem tem sede, alimento a quem tem fome, lavando os corpos e as almas de quem dele prescise. Amo este rio assim como meu próximo, por todos que amo entrego se presciso minha vida. Percebe como temos algo em comun?
Prezado Antônio,sei do seu compromisso com sua família, seus funcionários e também com o próximo, devo dizer que quando seu nome foi ventilado para candidato a presidente da república eu vibrei. Voçê é um dos brasileiros que poderia sem sombra de dúvidas ocupar este cargo.
Prezado Antônio, nós barranqueiros do velho chico temos sofrido com problemas  em nosso rio, um deles se dá por contaminação por metal pessado, que é o que sua empresa produz em Três Marias. Antônio, sinceramente por sua história, acredito que hoje a sua empresa esteja adequada aos padrões de  segurança ambiental, acredito.
Prezado Antônio, é presciso que voçê faça mais do que limpar nossa cachoeira, Temos que resolver o problema do passivo ambiental, acumulado no leito do rio, temos que repovoar o rio com peixes de nossa bacia e ainda tertar ajudar os ribeirinhos que padecem por estes problemas, são muitos antônios, Pedros e josés sofrendo com as agreções ao velho chico. Para que voçê saiba, alem do problema com os metais, tivemos problemas  com mortandade de peixes em turbina da cemig, o rio das velhas despejou algas azuis provocando morte de peixes e impedindo a pesca.
Prezado Antônio, é presciso que voçê faça a coisa certa, seja nosso parceiro, companheiro e amigo do velho chico, voçê tem uma propaganda em veiculos de comunicação da região, que a todos soa falsa. faça-a verdadeira, "votorantin, uma empresa que acredita em sua gente e no meio ambiente", acredite neste pescador e em todos os que sofrem com estas agressões e nos ajude a lutar pelo velho chico.
Prezado Antônio, acredito em seu coração e na correção de seu caráter, receba um abraço deste pescador, desculpe-me pelos erros pois estou me incluindo digitalmente, se precisar falar comigo vai ai o contato. Leonardo da piedade diniz filho av benjamin constant 1135 bairro santos dumont Pirapora MG cep 39270000 tel. 38 3741 7122 e 38 9947 7122".

 


 



Escrito por Marcos Pardim às 08h17
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   SOBRE MÃES, MULHERES E O NOSSO DESTINO DE AMÁ-LAS

A maior e mais conhecida empresa da cidade de Itu é também parceira da ONG onde coordeno culturalmente as ações de inclusão social. Hoje, ela nos convidou para realizarmos um Sarau Cultural em homenagem às mães. Já fizemos apresentações pela manhã e à tarde. Agora à noite, daqui a pouco, faremos a derradeira delas.

A mim, coube criar e ler um texto que fizesse a abertura do Sarau, que conta com coral, violinos, performances de teatro e dança. Rabisquei um negócio mais ou menos assim:

Filhos têm o dom de transformar mulheres em mães.

E o ato da concepção faz da mulher o ser humano mais próximo do milagre da criação divina.

E a nós, homens, esses moços, pobres moços, como bem define aquela sábia e velha canção de Lupicínio Rodrigues, só resta amarmos as mulheres. É o nosso destino, a parte que nos cabe na peleja eterna das relações afetivas.

Toda mulher que se faz mãe, via de regra, noves fora alguns indizíveis casos de violência, assim se faz por amor. Seja amor de um dia, de uma estação ou amor de uma vida toda. E se assim não foi, ao menos haverá de ter sido pelo sonho, pela ilusão imprescindível do amor.

Há antenas que capturam isso muito bem. Entre elas, os poetas. São tantas e imemoriais as odes, canções e poesias dedicadas a esse amor. E até eu, esse rabiscador de palavras, esse ajuntador de letras, já cantei, canto e cantarei o meu amor por vocês, mulheres.

Escolhi alguns versos, escritos e declamados em algum tempo que ficou lá trás, e que na ocasião me serviram para seduzir e conquistar uma mulher, que é hoje uma mãe, se não dos meus filhos, dos de um outro homem, que oxalá a ame com a mesma devoção que a amei um dia e hoje amo e devoto a mãe de Luiza e Pedro, estes sim, meus filhos.

O poema se chama Canteiros e é assim:

Foi numa primavera

Que eu ouvi de um passarinho 

Algo assim como você

E dos canteiros ao teu faro

Era todo o resto em flor

Foi me dado o teu querer

Tanto a abelha quanto a flor

Que se dão por natureza

Sentem o mesmo prazer

De se ver

De se ter

De se crer

Que em seu corpo brota o mel.

 



Escrito por Marcos Pardim às 18h50
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