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CENSO
seguinte, dois pontos, parágrafo, travessão "morador de rua brasileiro é homem, alfabetizado e tem parentes na cidade", diz pesquisa, nenhum pesquisador ou assistente social de nenhum sexo bateu à minha porta, tocou a campainha de minha casa ou bateu palmas em frente ao meu portão, também não preenchi formulário algum nem respondi a questionários que não me foram remetidos
sou brasileiro, homem, leio, digo mais: ainda sou metido a rabiscar, a desenhar pensamentos em forma de letras agrupadas e, embora seja fruto da roça, vivo e tenho parentes na cidade, e se recenseado fosse teria dito coisas como calçadas insinuantes, sarjetas sedutoras que me lambem e me beijam, diria também dos tantos mendigos, andarilhos, maltrapilhos ou jesuses de seus tempos e dias que me abordaram, abordam e inevitavelmente continuarão a me abordar
minhas respostas, dadas assim, fosse quem fosse o interlocutor, fariam com que os recenseadores ficassem tentados a me incluir na triste estatística da mendicância da existência, coisa que milagrosamente não fui, afortunadamente não sou e abençoadamente não serei
que os anjos caídos me digam amém
Escrito por Marcos Pardim às 14h27
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PORQUE HÁ A QUEM NÃO SE É DADO DESISTIR
amores e ódios; amizades e inimizades; afetos e desafetos; fazeres e desfazeres...
são tantas as dicotomias
e não se pode esquecer, também e sobretudo, que há deus e o diabo, o bem e o mal
são sempre possibilidades de escolha, o bíblico livre arbítrio
pior mesmo é quando a dicotomia é entre seguir ou desistir
se sabe preciso a desistência
e o homem, ainda que queira desistir, não consegue.
há lutas na existência que não permitem esta escolha
pobres homens estes, que alguns denominam soldados de deus
e eu, laico, sorrio e despretenciosamente os chamo de insanos
imprescindíveis insanos
Escrito por Marcos Pardim às 08h12
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NOTÍCIAS DO MUNDO DE CÁ
Amigos & inimigos meus, como se diz por aí: aqui "o bicho tá pegando". Chamem a princesa Isabel, please, que o escravo aqui sou eu. Quem foi que saiu com essa história de que o trabalho dignifica o homem?
Entre as coisas que faço pra ganhar os caraminguás que sustentam todos os meus vícios&vicissitudes, sou diretor cultural de uma ONG, na vizinha cidade de Itu, que também é Ponto de Cultura do projeto Cultura Viva do MinC. Entre as nossas ações de inclusão social via Cultura, estamos atualmente trabalhando com cultura indígena. Aqui ó: http://www.itu.com.br/noticias/detalhe.asp?cod_conteudo=13460 tem um texto e um filme sobre uma oficina que aconteceu quarta-feira 16 lá na sede da FASAM.
Por falar nisso, parte de nossa equipe de dirigentes, oficineiros e oficineiras está em Bertioga, litoral sul de SP, onde de hoje à segunda-feira 21 acontece a VIII Festa Nacional do Índio. Se tiver interesse em saber mais, fuça aqui: http://bertioga.jornalbaixadasantista.com.br/conteudo/festa_nacional_indio2008.asp.
Eu não fui. Não por ócio ou vagabundice, que seriam bons motivos. Mas por que estarei participando do Fórum Paulista dos Pontos de Cultura, que começa hoje à noite e vai até segunda-feira, na cidade de Diadema. Políticas Públicas e o Mecanismo de Gestão da Cultura; Práticas Culturais e Cidadania; Economia da Cultura e Cultura Viva: Ações e Gestão são os temas que me aguardam. É mole ou quer mais? Nesse endereço aqui: http://ourproject.org/moin?forum_paulista_de_pontos_de_cultura tem mais coisas para quem interessar possa.
Pra terminar de matar o véio, ainda estou trabalhando, em parceria com dois alunos do curso de Cinema do CEUNSP (faculdade aqui de Salto), em um documentário sobre a ONG, que precisa estar pronto ainda em tempo de poder participar do processo de seleção do Festival Internacional de Filmes Sociais. O prazo final de entrega é 1o. de maio.
Meu reino por uma canetada libertária de princesa Isabel.
Escrito por Marcos Pardim às 08h10
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SEM SEGREDOS
É por você, viu?
Por você que concedeu pousar sobre mim o teu olhar afortunado e lindo.
É por isso, e só por isso, que agora eu conheço todos os seus cem segredos.
É por você, sim, por você que hoje eu vou assistir ao pôr-do-sol e à noite irei sonhar que escorrego num gigantesco arco-íris, cujo tamanho separa exatamente a noite do dia. De amanhã.
No final do arco-íris, meu amor, eu irei acordar do sonho, sabedor de que se a minha alma do desejo antes não ousara compreender, agora ousa. Agora, sabe.
Você me olhou. E eu entendi.
Estes são todos os seus segredos:
*** da série palavras um dia agrupadas e esquecidas no desmaio do tempo.
Escrito por Marcos Pardim às 10h01
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