Caraminholas


ENQUANTO ENTARDECERES REZAM

inominável, não que não possuas um nome, mas que todos os nomes, masculinos ou femininos, falados ou escritos em qualquer idioma, língua ou dialeto, lhe caem tão bem, és personagem de uma história que ora parece estar sob teu controle, ora sendo contada por narradores benfazejos que fazem e desfazem os nós da trama como bem entendem ou querem, por vezes, essencialmente quixote, noutras, simplesmente quixotesco, é possível avistar-te, personagem ou invenção de ti mesmo, ora mirando o horizonte aberto, contando estrelas no céu, imaginando vencível toda e qualquer batalha, campal, naval, moral ou imoral, ora vergado na espinha dorsal, olhos repetidas vezes voltados para o sul, pois que decifrar ou devorar a existência tem muito a ver com desenhá-la em pontos cardeais, chutando tampinhas, recolhendo tocos, guimbas, bitucas de cigarros jogados ao chão, tão definitivamente umedecidos que nem mesmo o atrito imemorial de gravetos seria capaz de (re)acendê-los, tragando-te pela tua necessidade de tragar, engolindo-te pelo próprio desejo teu de engolir, a sorte está em que por detrás de qualquer fog londrino, ainda que seja de qualquer lugarejo, aldeia, quilombo, maloca, condomínio ou favela, sempre haverá de existir uma esquina no caminho, tal qual uma pedra, mudando o rumo da história, a perspectiva, a paisagem do olhar, possibilitando-te, oh, inominável, tu que atendes ao chamado de todos os nomes, danar em fogo-fátuo da esperança, para além da etimologia.



Escrito por Marcos Pardim às 20h15
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A PARTIR DE UM COMENTÁRIO (OU UM SOLO DE GAITA)

em nome do amor. ou da loucura que dele resulta. espalhai pelo chão as migalhas. que haveremos de devorá-las. como se manjares divinos fossem. na extremada tentativa. de evitarmos ser devorados. pelo desatino da cruel possibilidade de, em não podendo se ter um ao outro, não tê-lo. e só restar curvar-se pela súplica. livrai-nos do frio. da escuridão. e da ausência. amém.



Escrito por Marcos Pardim às 22h10
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CHINA, POÇOS DE CALDAS, MISSIONÁRIOS E CAETANO

Ultimamente, minha condição de não-alforriado e uma virose me tiraram o tempo e as forças. Ainda um tanto alquebrado, ensaio alguns rabiscos, um arremedo de crônica que fale um pouco sobre minhas recentes impressões ou emoções. Vamos à ela, seguindo a sequência lógica do título acima, escolhido antes mesmo do que virá abaixo, seja lá do que for capaz:

4 de junho relembrou os 20 anos do que ficou conhecido como o massacre da Praça da Paz Celestial. A imagem daquele homem frágil, solitário, corajosamente postado defronte ao comboio de tanques militares voltou a correr o mundo, ilustrando blogs, matérias de jornais, capas de site ou reportagens de TV. Entre muitas que, a ferro e fogo, imprimiram-se indeléveis em minha memória, esta imagem é das mais significativas e marcantes. Em outubro de 1989 publiquei meu livro Que a Lua Habite o Papel, cuja dedicatória diz: Aos jovens estudantes chineses que, num grito à liberdade, tomaram a Praça Tiananmem (Praça da Paz Celestial) - em especial, a Wang Weilin.

6 e 7 de junho foi o final de semana que aconteceu, em Poços de Caldas (MG), uma das etapas da Copa das Nações Danone, categoria sub-12. Trata-se, em números, segundo dados do site www.copadanone.com.br, do maior torneio infantil de futebol do mundo, reunindo 42 países. Desconfio sempre de superlativos. Mas, mesmo desconfiado, prossigo: após fases classificatórias em cada país, acontece em Paris, na França, uma espécie de Copa Mundial, onde disputam os campeões de cada um dos países inscritos. Pedro, meu filho, é goleiro. Indicado por olheiros, defendeu o time do Poços de Caldas Futebol Clube - Vulcão. Sagraram-se vice-campeões e Pedro, mesmo sendo goleiro, foi agraciado com o troféu de melhor jogador da Copa das Nações, fase Poços de Caldas. Muito mais do que orgulho de pai, fui tomado por uma sensação gostosa de surpresa e alegria. Em um torneio dessa dimensão, que reúne tantos e talentosos jogadores de linha, trata-se de uma missão quase impossível para um goleiro ser escolhido para esta premiação. Meu filho conseguiu. E age como se nem tivesse sido com ele. Isto, sim, me deixa orgulhoso.

Hoje pela manhã, feriado de Corpus Christi, tomo café reunido em família. Um barulho vindo da rua invade o silêncio matinal. Um carro de som, altíssimo, anuncia, pela primeira vez em Salto, a presença do missionário R.R. Soares. Diz tratar-se de um "show de fé", seja lá o que signifique tal expressão, com data, local e horário agendados. Faltou dizer o valor da entrada. Mas não faltou, ao final da mensagem, elencar a série de patrocinadores. São mesmo estranhos estes nossos tempos, onde fé se vende (o que deixa subentendido que também se compra) em "shows artísticos", e missionários - de qualquer religião, a bem da verdade - são nos apresentado como se pop stars fossem. Tô fora!

Por fim, ligo o computador e abro as páginas do jornal. Uma das notícias informa que o Ministério da Cultura negou verba a Caetano Veloso, via renúncia fiscal da Lei Rouanet. Sou fã de Caetano, e não é de hoje nem será de amanhã. Possuo LPs, CDs, e já frequentei shows dele. Mas, para além de fruidor de cultura & arte, sou também operário cultural, e tento manter-me íntegro e honesto aos meus princípios, inclusive de fé. Fiel a isso, mas nunca a missionários de qualquer espécie, inclusive culturais, pergunto: honestamente, raro leitor, avis rara leitora, é preciso renúncia fiscal para levantar os 2 milhões previstos na planilha de custos do projeto de excursão do show de Caetano? Por óbvio, a resposta é não, não é preciso. E é por esse e outros exemplos, mais "cabeludos" ainda, que está mais do que certo o MinC em querer alterar os mecanismos da lei, muito embora a mesma matéria informe que o ministro irá vetar o veto. Dá pra imaginar o "terrorismo" que uma notícia desta propicia aos defensores da vigência da lei atual.



Escrito por Marcos Pardim às 11h51
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A COINCIDÊNCIA DE ENSAIOS

Hoje é domingo, pede cachimbo... diz um dos versos de uma parlenda popular. Me lembrei dela quando dei uma fuçada pelo site da Carta Maior.

O link do porquê desta lembrança estará ao final destes rabiscos. Antes, alguns esclarecimentos e algumas coincidências. Assisti, ontem à noite, em DVD, ao filme Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que é baseado no livro homônimo do escritor português José Saramago. Quem leu o livro ou assistiu ao filme, sabe de que baixezas, vilezas e tristezas somos humanamente capazes. É um alívio milagroso imaginar que também somos igualmente capazes de gestos e atitudes de nobreza e beleza humanas. Mas, agora, é das anteriores que se quer aqui falar. Não como crítica social panfletária nem como discurso vazio. Antes, como a necessidade imprescindível de a sociedade olhar carinhosa, terna e generosamente para mazelas tão antigas quanto renitentes.

Logo após ao almoço, motivado por um trabalho a ser feito, concedi-me alguns minutos para fuçar pela net. Deparei com um Ensaio Sobre a Barbárie, texto e fotos tão irretocáveis quanto necessários, de Eduardo Zidin - cuja identificação profissional o site não traz, infelizmente.

Alguém, até com certa razão, poderá dizer: não tenho estômago. Diria eu: não é de estômago que se precisa. É de olhos, primeiro. Olhos de ver. Depois, de algo mais subjetivo, como coração, alma, decência, dignidade, ética. Ou qualquer outro, à escolha do(a) leitor(a).

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16012



Escrito por Marcos Pardim às 15h17
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Palavras, apenas

Sairá, logo pela manhã, ninguém verá, À tarde, não voltará, alguém notará? Fará frio quando anoitecer, a escuridão, seguindo o destino de por vezes amedrontar, amedrontará, Talvez terá sido preciso empreender uma procura, pelas ruas, vielas, esquinas, becos, bares, delegacias, prontos socorros, hospitais, velórios, sabendo-se, de antemão, que buscas deste tipo jamais serão facilitadas, Não haverá traço, troço qualquer que poderá ajudar na identificação por amostragem, tentativa e erro, Ao mesmo tempo, e muito por conta disso, sempre haverá de existir quem devaneie sejamos iguais, Em quê?, não se saberá, pois nunca se soube, Talvez, na possibilidade de que perder-se tenha lá suas peculiaridades, dentre elas a de promover a revolução da igualdade, Antônimos e sinônimos, correndo o sério e provável risco de se ser anônimo, ninguém vendo, ninguém notando.

Anoiteceu, faz frio.

*** da série palavras um dia agrupadas e esquecidas no desmaio do tempo.



Escrito por Marcos Pardim às 19h19
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PRÊMIO CULTURAL LOUCOS PELA DIVERSIDADE

Edital é resultado da oficina de mesmo nome realizada em 2007

O Ministério da Cultura lançou na terça-feira, 12 de maio, no Encontro Internacional Reformas Psiquiátricas e Transformação Cultural no Brasil e no Mundo: 30 anos da Lei Franco Basaglia, o Edital Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade 2009 - Edição Austregésilo Carrano.

Parceria entre Ministérios da Cultura (MinC) e da Saúde (MS), respectivamente por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental (LAPS) e a Caixa Econômica Federal.

 O processo que culminou no lançamento da premiação teve início em 2007 quando a SID/MinC e a Fiocruz realizaram a Oficina Loucos pela Diversidade, com o objetivo de construir ações e diretrizes para as políticas públicas de cultura. Além desse edital, a iniciativa resultou em publicação com o mesmo nome, a qual já teve distribuídos mais de 3 mil exemplares em diversos eventos de âmbito nacional e internacional.

Nota do blogueiro: em meio à avalanche de notícias que quase nos soterram diariamente, aos tantos emails que recebemos, muitos dos quais nem sequer abrimos, vez ou outra uma (notícia) ou um (email) chega até nós recheado de alegria. Esta acima, por exemplo. Desde sempre sofro atração pelo que convencionamos chamar de loucura. Devo atraí-la. Impressiono-me ao lembrar, desde "Toniquinho Chorão" lá na minha mais tenra idade, quantos "andarilhos, marginais e loucos" já se aproximaram, e se aproximam, de mim. Sem eu saber por quê, me tratam com deferência, com amizade, com carinho. Não à toa, coordeno o Ponto de Cultura Para Todos os Especiais, cuja sigla, FASAM, significa Familiares e Amigos da Saúde Mental. Dia desses, em companhia de Vera Portella, presidente da entidade, estive na Cinemateca, em SP, para um debate sobre as alterações propostas à Lei Rouanet, notadamente as que dizem respeito às políticas públicas culturais voltadas para este público. Este edital é uma vitória e tanto. Nise da Silveira, se viva fosse, certamente estaria feliz. Humildemente, fico eu por ela.



Escrito por Marcos Pardim às 20h42
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MAIS UM OUTONO

Amanhã é 13 de maio. Dia em que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, concedendo a abolição aos escravos. Páginas de mais uma das tantas histórias vilipendiosas escritas pela humanidade.

Mas também é dia de meu aniversário. Faço 46 anos, às nove horas da manhã, segundo detalha o meu registro em cartório. Por conta disso, aquele bonequinho que ilustra a parte lateral alta deste blog passará a contar uma nova informação: onde antes se lia de 36 a 45 anos, passará a se ler de 46 a 55 anos - o que sinaliza que não precisarei alterar este dado pelos próximos 10 anos. Para quem é amigo do ócio, isto não é um mero detalhe.

Não sei bem por quê, aliás acho que sei sim, mas aniversariar me faz pensar em palmadas. Sobretudo naquelas que mereci, e não as levei. Mas quando se nasce, não tem jeito: o médico desce a mão no bumbum da gente, e soltamos o nosso primeiro grito, a nossa primeira esperneada da existência.

Nestes dias que correm, talvez por nostalgia, talvez por melancolia, ou talvez mesmo porque eles sejam os meus grandes ídolos, tenho pensado em d. Odilia e em seu Tuta, minha mãe e meu avô materno respectivamente. Ambos, conforme costuma dizer Rolando Boldrin, "já viajaram fora do combinado".

Ambos também usavam, com frequência, duas palavras antônimas para ilustrar o que julgavam ser ensinamentos bons de se dar: decência e indecência.

Passo, e se Deus assim me permitir, passarei longe do moralismo para todo o sempre, amém. Dito isso, continuo: recentemente, em um artigo para jornal, por motivos que não vêm ao caso agora, pedi, por favor, que médicos e auditores de um certo plano de saúde privado fossem menos indecentes, que tivessem um pouco mais de decência humana.

Não são só eles que andam precisando. Tenho achado, verdadeira e sistematicamente, que a sociedade temos nos esmeirado em produzir indecências.

Sei que amanhã ganharei presentes. Na verdade, até já ganhei dois antecipadamente. Decerto que ficarei, e fico, feliz com eles. É certo também que, no mais das vezes, não padeço de mal-humores ou cóleras de ira. Mas, se pudesse pedir alguma coisa de presente, pediria que fôssemos um pouco menos indecentes (ou, se preferirem, mais decentes) em nossas relações, sejam elas pessoais ou profissionais.

Ah, e tomem uma por mim. Que o mundo é bão, Sebastião. E morrer, morre-se mesmo, e depois de amanhã faz dois dias, como diria seu Tuta.

 

 



Escrito por Marcos Pardim às 19h31
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CONFESSIONÁRIO (OU COMO O PERDÃO PODE VIR TÃO SIMPLES)

Houve um tempo, e a antiga e tão bela canção o eternizou, em que "havia galos, noites e quintais".

Neste tempo, também era um tempo em que havia a missa dominical. Nove horas da manhã. Igreja da Matriz. Missa das Crianças. O menino, bolsista em um colégio religioso, quase nunca a perdia.

Somente um motivo era capaz de fazer o menino esquecê-la, ou despistá-la - o que, em verdade, soa mais verossímil - : o futebol. O menino jogava pela categoria dente-de-leite de um clube da cidade. Se na manhã de domingo jogo houvesse, na segunda-feira, para mistério e espanto do menino, a madre superiora o apontaria, bem como a todos os outros que também houvessem faltado à missa das crianças, marcando-o, com o dedo indicador, como um pequeno alguém em falta. Com Deus.

Um destes domingos, manhãzinha, jogo pelo time não havia. Mas havia a pelada de rua, os pés descalços, dois paralelepípedos fazendo as vezes do gol, da meta, do lugar sagrado, onde ao ultrapassar a linha fatal a bola contaria uma história. Épica. Feita de heróis e bandidos. Derrotados e vencedores.

Como todo e igual domingo, o padre saia pelas ruas da cidade, tão pequenina que mal cabia em Ana ou Maria. O padre batucava em um bumbo e distribuia balas às crianças. Atrás, em direção à Matriz, um cortejo de meninos e meninas o seguia, rumo à missa.

O cortejo passou por onde o menino, junto com seus amigos, disputava a sua pelada, na tentativa de fazer parte da história. Aquela mesma história que se pode contar depois, homem feito, para os filhos em casa ou para os amigos, ao redor de uma mesa, onde também se pode rezar.

O padre atravessou pelo caminho. Os meninos não pararam. O padre convidou-os, chamando-lhes à atenção. Nem o bumbo nem as balas foram capazes de fazer os meninos largarem o jogo, a brincadeira, a bola. O padre puxou o menino pelo braço. O menino, tentando desvencilhar-se, disse - me larga, padre. E correu atrás do passe, para dar sequência ou para interceptá-lo. O padre o seguiu. Tormou a puxá-lo, mais forte, pelo braço. O menino, novamente, tentou soltar-se. O padre não o soltou. O menino, num surto violento, desgarrando-se, lascou: - vai tomar no cu, padre.

Hoje, na paisagem da memória, pintada em tintas frescas, a lembrança lhe sorri. A avó, ralhando, passa-lhe a descompostura: - não devia ter feito isso, menino, é pecado mortal. O avô, que de perto a cena assiste, de soslaio sorri e dá-lhe uma piscadela.

Perdoado, o menino vira homem.

Do tipo que conta histórias aos filhos. E reza, ao redor de uma mesa, com os amigos.



Escrito por Marcos Pardim às 19h32
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APRENDIZ

na mais absoluta falta de ter o que dizer, digo apenas que vejo.

que olho.

que atento.

embora quase nunca note.

se pudesse, por cada canto que estivesse, me instalaria em uma confortável cadeira, estrategicamente colocada na calçada, para somente observar.

fotografar com os olhos.

revelar com a alma.

[ se alma tivesse ]

da falta de ter o que dizer, me vem um desejo de dizer que minha obsessão pelo outro advém do fato de que ele, somente ele {o outro}, foi, é e será apto a enxergar em mim a virtude que eu jamais fui, sou ou serei capaz de sequer intuí-la, quanto mais sabê-la ter.

se me dado fosse ensinar algo a meus filhos, ensinaria-os a amar.

o outro.

é nele que reside a sabedoria.



Escrito por Marcos Pardim às 21h28
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A arte quando encanta e arrebata

"Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem-vindos ao Teatro Mágico".

Assim, ouvindo estas palavras, fui apresentado a um moço de cara pintada, vestido em trajes circenses, e que havia acabado de adentrar ao palco. Daquele momento adiante, e ao longo dos próximos e aproximados sessenta minutos seguintes, o que eu viria a ver e a ouvir me levariam a sair do CEUNSP (faculdade aqui de Salto, cidade onde vivo) com uma forte e gostosa sensação de encanto e arrebatamento.

A trupe do Teatro Mágico, que eu desconhecia e ignorava completamente, seria responsável por me fazer voltar a sentir o que há muito não sentia, enquanto espectador de alguma apresentação ou manifestação artística. Ao puxar pela memória, relembraria que a última vez que, encantado e arrebatado assisti a algum espetáculo cultural, terá sido a peça teatral Dorotéia Minha, monólogo encenado pela atriz Beth Goulart - e disso já lá se vão alguns bons 4 ou 5 anos.

Ali, em pé, ao lado de uma multidão de gente, a maioria jovens, muitos deles ostentando narizes de palhaço, caras pintadas e, surpreendentemente para mim, com as letras decoradas das músicas cantadas ou dos poemas declamados durante o show, assistia eu a um contagiante clima de alegria e a uma completa entrega dos artistas da trupe. Uma verdade artística me pareceu estar ali, diante de mim, dialogando comigo, me estendendo a mão e me convidando a ir com eles. Aonde? Ainda não sabia.

Música, teatro, dança, literatura e artes circences misturados, a serviço de uma proposta anárquica, irreverente, contestadora e absolutamente crente na salada de ritmos, na diversidade da cultura e na pluralidade da arte. Com um roteiro que primava pela generosidade, toda a anarquia misturada no palco era merecedora de especial atenção. Até mesmo aquilo que, em tese, pudesse ser considerado menos importante ou mera figuração era valorizado. Um cuidado delicado com os adereços de cena. Uma força no realce do colorido e uma total informalidade na concepção da marcação cênica.

Tudo isso passeando ali, diante de mim, para colírio de meus olhos e sopro para meu espírito. E eu ia gravando na mente os refrões, os versos, enquanto o vocalista e líder da trupe, Fernando Anitelli, conduzia uma indignação artística que me parecia já um tanto quando demodê, uma preocupação social tornada tema artístico, no entanto sem dramas nem lamentações.

De repente, um número de malabares introduz o fogo, a pirofagia, como símbolo de algo sério, reflexivo. A vida parece mesmo ser feita de som e fúria. Tudo parece suspenso. Um quase. Por um fio. Mas a poesia, o lirismo e a alegria se encarregam de cumprir o papel da fé e da esperança, sobretudo em nós mesmos. Há tempo, inclusive, para que a trupe faça apologia do software livre, de dizer que as músicas, todas, estão disponíveis para baixar na internet e a chamar a atenção para a importância vital que a informação possui em nossos dias. Pedem que prestemos atenção à Conferência Nacional de Comunicação que irá ocorrer no Brasil e, se pudermos, participemos das discussões sobre o tema, via internet.

Internet, aliás, que é a ferramenta capaz de ter produzido um novo fenomêno. Eles, que não tocam nas rádios (conceitualmente, "por não aceitarem pagar jabá") nem têm contrato com alguma poderosa gravadora ou distribuidora. O que não os impede de, em seus shows, arrebanharem uma multidão, sobretudo jovens internautas, capazes de dominar suas imensas possibilidades de comunicação ágil, e que eu, analfabeto funcional virtual, praticamente desconheço.

Confesso: me encantei e permaneço encantado com o trabalho artístico da trupe do Teatro Mágico (www.oteatromagico.mus.br) .

Deixo para eles a incumbência de dar fim a  estes rabiscos preguiçosos, como convém a qualquer dia de feriado como esse de 21 de abril, com trechos de duas letras: De ontem em diante ("E se antes um pedaço da maça / Hoje quero a fruta inteira / E da fruta eu tiro a polpa / Da puta, eu tiro a roupa / Da luta eu não me retiro / Me atiro do alto / E que me atirem no peito / Todo dia de manhã é nostalgia / Das besteiras, das besteiras e das besteiras que fizemos ontem") e Sintaxe à vontade ("Façamos parte do contexto da crônica / E de todas as capas de edição especial / Sejamos também o anúncio da contra-capa / Mas ser a capa e ser contra-a-capa / é a beleza da contradição / é negar a si mesmo / e negar a si mesmo é, muitas vezes, encontrar-se com Deus / com o seu Deus...".

Obs: Dia desses, mais precisamente em 11/04, assisti, em Piracicaba(SP), a uma nova apresentação do Teatro Mágico. Tornei a gostar um tanto do que vi e ouvi, muito embora tenha saído com uma ligeira impressão de que o "sucesso" pode estar perigosamente subindo à cabeça. Uma outra colocação é que achei os arranjos excessivamente baseados no rock, o que descaracteriza bastante o talento da trupe em transitar pela diversidade dos gêneros musicais. 



Escrito por Marcos Pardim às 18h32
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HÁ NOITE EM SEU SERTÃO

viva em paz.

eis aí, mais do que um mantra de fé ou um condoído desejo, uma esfinge. entre tantas que a vida põe à mostra em seu variado e sortido balcão de negócios & oportunidades.

opte-se pela ação. ou pelo omitir-se. não há possibilidade de alteração do resultado na escolha. viver sempre haverá de ser veredamente perigoso.

o monocórdio dia a dia da existência não se acanha em nos impor combates, sejam eles bons ou maus. internos ou externos.

na parte que lhe toca deste latifúndio, há lutas pelas quais se configura impossível não pelejá-las. mas, não importa.

vitorioso ou derrotado, impossível quaisquer variantes: sempre haverá de destinadamente se sentir vencido.

se não por nada, pelo imenso cansaço. de viver. heroicamente tentando desvencilhar-se da infinita nostalgia da trégua. lenço branco acenando com a possibilidade do fim. 



Escrito por Marcos Pardim às 21h20
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COLOMBA PASCAL

quando amanheceu, os filhos desejaram-lhe boa páscoa. brincaram. riram. se abraçaram. e se beijaram.

não. ser pai, assim como ser mãe, não é padecer em um paraíso. tampouco, queimar-se no fogo do inferno.

mas, que filhos trazem em si um pouco da essência da páscoa, isso lá parece ter um tanto de verdade. neles, ressuscitamos um pouco a cada dia.

 



Escrito por Marcos Pardim às 10h42
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CARTA ABERTA

Se você, avis rara leitor(a), acha que Cultura é artigo de luxo nem perca seu tempo em pousar teus olhos nas letras que seguem abaixo. Agora, se assim como este operário aqui, acredita que Cultura faz parte do kit  básico de sobrevivência nosso de cada dia, leia a carta que a Comissão Paulista dos Pontos de Cultura escreveu. Reproduzo-a, na esperança de que mais gente se habilite a combater um bom combate. E, quem interessar possa, preste atenção também nas discussões que estão ocorrendo a cerca das mudanças propostas para alterações na Lei Rouanet.

Prezad@s senhor@s

O Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC), compartilha com a sociedade civil as responsabilidades em relação à cultura, a educação e a cidadania. Incentiva a preservação e promove a diversidade cultural brasileira, além de contemplar iniciativas culturais que envolvem comunidades, arte, cultura, cultura digital, cidadania e economia solidária.


Por meio da Secretaria de Programas e Projetos Culturais (SPPC), o MinC iniciou, em 2004, a implantação dos Pontos de Cultura, com a missão de “desesconder” o Brasil, reconhecer e reverenciar a cultura viva de seu povo.


Pela primeira vez num programa do Ministério da Cultura vêem-se novas culturas entrando em cena, falando de nossas origens, histórias e mitos, e que não tem vergonha de se dizer brasileira – trata-se de um processo de empoderamento.


Índios, comunidades quilombolas, comunidades ribeirinhas, caipiras, periferias e demais grupos afirmam suas tradições pelo significado que elas têm. O programa Cultura Viva contribui no compartilhamento e na fruição dessas tradições e seus significados.


De Norte a Sul e de Leste a Oeste, em 26 estados e no Distrito Federal, em aproximadamente 300 municípios, o Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, contempla atualmente mais de 825 pontos de cultura, com a previsão de chegar a mais de 2.000 pontos até 2010, de acordo com os editais já abertos em todo o país.


O Programa Cultura Viva é uma rede horizontal de articulação, fruição e disseminação da cultura brasileira, funcionando também em temáticas transversais que perpassam vários conceitos, integrando-os via manifestações socioculturais. Através do reconhecimento de dezenas de iniciativas culturais desenvolvidas no país, chamados Pontos de Cultura, o Programa visa garantir a expressão da pluralidade brasileira na construção de uma memória presente, através das novas possibilidades de difusão e acesso à cultura.


Os Pontos de Cultura são espaços culturais da sociedade civil que recebem recursos para continuar e potencializar seus trabalhos. O objetivo deste programa é valorizar as variadas manifestações culturais do país, reconhecendo a cultura em toda a sua complexidade, desde as que ocorrem nas grandes cidades, em favelas e periferias, às que se encontram em pequenos municípios, ou em aldeias indígenas, assentamentos rurais, comunidades quilombolas e universidades. Cada Ponto de Cultura deve ser autônomo, empoderador e protagonista da sua realidade.


Em meio a este universo dos Pontos de Cultura a Comissão Paulista dos Pontos de Cultura - CPPC - se constituiu no primeiro Fórum dos Pontos de Cultura do Estado de São Paulo, realizado na cidade de Diadema em 18 a 21 de Abril 2008. A Comissão é composta por delegad@s eleit@s em plenária que estão divididos regionalmente: em macros e micros regiões, além de consultores e observadores.


A atual missão da CPPC – Comissão Paulista dos Pontos de Cultura é “Representar o movimento dos pontos de cultura do Estado de São Paulo e seus interesses coletivos, manifestos conforme as premissas do Programa Cultura Viva, no sentido de consolidar um Modelo de Política Pública de Estado para a Cultura do Brasil, sendo essa a nossa principal bandeira”, E seu objetivo é organizar de forma colaborativa e compartilhada o movimento dos Pontos de Cultura de São Paulo, com a finalidade de potencializar suas ações em busca de sustentabilidade.


Queremos garantir que esse Programa se torne um Projeto de Lei, já que intervém na democratização dos meios de produção e acesso da cultura, valoriza as demandas produtivas de parcelas da população que não estavam contempladas por outras formas de investimento, e não eram valorizadas, não tinham visibilidade. Entendemos também que o Programa Cultura Viva representa um novo modelo de tecnologia sociocultural, que confronta os padrões produtivos hegemônicos, e se destina a reconhecer a latente criatividade e afirmação que outros atores sociais produzem: cultura, representação simbólica e identidade do povo brasileiro.


Acreditamos que o Programa, ao incorporar novos atores que reconhecidamente despertam para um novo formato de execução e disseminação de sua produção cultural, cria um ambiente - que aproxima os atores do Estado e de seu funcionamento, visto como quem inicia todas as cadeias produtivas da cultura - onde a experiência no acesso às tecnologias produtivas não são apenas importantes ou como registro no campo do direito, mas condição essencial para a participação no processo de formulação de políticas públicas plurais e afirmativas. O Programa estimula a criatividade, potencializando desejos e criando situações de encantamento social, por meio dos Pontos de Cultura.


O Programa Cultura Viva - os Pontos de Cultura - firmaram parcerias com diversos estados e municípios do Brasil, de vários partidos políticos, para o lançamento de novos editais e ampliando a rede dos Pontos de Cultura.


“A implantação do Programa prevê um processo contínuo e dinâmico, e seu desenvolvimento é semelhante ao de um organismo vivo, que se articula com os Pontos de Cultura pré-existentes. Em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas locais, o programa estimula a criatividade, potencializando desejos e criando um ambiente propício ao resgate da cidadania pelo reconhecimento da importância da cultura produzida em cada localidade. O efeito desejado é o envolvimento intelectual e afetivo da comunidade, criando uma mágica motivadora na qual os cidadãos sentem-se, cada vez mais, estimulados a criar e participar/.“ - SITE MinC

Vemos que este Programa tem potência para se tornar uma Política Pública que seja de fato democrática e participativa.


Reforçaremos a campanha pela transformação do Programa Cultura Viva em Lei e política de Estado.


Defendemos a inclusão da cultura no capítulo dos direitos sociais da constituição brasileira, a implantação do sistema nacional de cultura, a ampliação e democratização do financiamento público para a atividade cultural.


Cultura como direito de cidadania e dever do Estado!


Cidadania Cultural como direito de todos!

 

Atenciosamente,

Comissão Paulista dos Pontos de Cultura

 



Escrito por Marcos Pardim às 14h27
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PEQUENO SERMÃO SEGUNDO MARCOS

seja pela culpa. ou como desculpa. tudo sempre haverá de acontecer por ele. ou pela falta dele.

por isso, bem-aventurados aqueles que sabidamente seguem o meio-fio. não se desviam. nem se perdem pelas rotatórias.

bem-aventurados aqueles a quem as setas apontam. que num átimo de segundo antes, por uma nesga do verbo, o gêneses deixou escapar a sugestão do amor.

bem-aventurados os que assim o acatam. por inteiro. ou aos estilhaços.

bem-aventurados.



Escrito por Marcos Pardim às 20h52
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QUANDO ME DIZEM PF, PENSO LOGO NA DEFINIÇÃO PARA PRATO FEITO

Soa-me por demais estranha a situação de imbroglio a que se chegou a famigerada "Operação Satiagraha". Os investigadores, segundo boa parte da mídia, seriam "bandidos" piores do que os investigados.

Até há alguns anos atrás, leituras diárias de jornais levavam-me à páginas e páginas que descreviam ações pirotécnicas da Polícia Federal centradas no narcotráfico. Autoridades e policiais federais, era comum, posavam ao lado de cenas onde a queima ou a apreensão de grande quantidade de drogas eram o supra sumo midiático, a ocasião dos sonhos de qualquer diretor ou delegado da PF mais sensível aos holofotes.

Depois, de uns cinco anos para cá, os nomes exóticos das operações federais passaram a denominar investigações dos chamados crimes do colarinho branco. Em minha santa ingenuidade e falível intuição, imagino que essa mudança de rumo da PF tenha sido bastante interessante - talvez até patrocinada - para algum grupo poderoso, presumivelmente os que estavam no leme do Planalto Central.

Enquanto estas operações atingiram a políticos e/ou empresários ligados à concorrências públicas (ou  à falta delas) de restrito e exclusivo interesse deste mesmo grupo, a PF e seus bravos representantes legais, fossem eles delegados ou procuradores, tudo ia muito bem. Mas o ser humano é imprevisível. É mesmo bem capaz de tomar gosto por aquilo que está fazendo, e querer fazer ainda mais - e melhor.

A PF passou a investigar outros políticos, outros empresários, outras figuras sinistras de nosso sinistro espectro político nacional. Tenho a impressão de que a PF, sob a ótica deste grupo, "fugiu dos trilhos", "saiu da linha". E eles devem ter chegado à conclusão do quanto eram felizes e não sabiam no tempo em que a PF se lambuzava no mel das grandes apreensões, das megas cenas fotografadas e filmadas de queima de drogas.

A "Operação Satiagraha", cujo delegado responsável era tido e havido, incensado até pela mídia, como um dos mais brilhantes quadros da PF, me parece ser emblemática desta "perda de controle", já que a Polícia Federal foi mexer onde provavelmente não devia. A campanha difamatória e a avalanche de destaque que se tem dado aos possíveis erros do tal delegado, e de alguns outros envolvidos na operação, me parecem bastante suspeitas.

O envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, então, me soa obsceno. Procuro fugir das tais "teorias conspiratórias", mas que Daniel Dantas e os demais investigados devem ser figuras muito mais nocivas e perniciosas à sociedade do que o tal delegado, e do que o procurador da Justiça, que querem nos fazer crer bandidos, não tenho dúvidas. Embora isso lá, de eu não possuir dúvidas, não tenha também nenhuma importância.

Importante seria o ministro Gilmar Mendes prestar explicações sobre o seu Intituto Brasileiro de Direito Público (IDP), que mantém contratos sem licitações com órgãos públicos. Mais ainda, sobre a sua mais recente atitude de ordenar a retirada do ar de um programa de entrevistas da TV Câmara, onde três jornalistas debatiam a tal da operação do delegado Protógenes Queiroz e levantavam questionamentos sobre a sua conduta e sobre o tal grampo a que supostamente teria sido vítima, que alguns órgãos de imprensa garantem existir, mas nunca ninguém ouviu o áudio para certificar-se de sua existência. Afirmam que o ministro foi grampeado e pronto. E quem duvidar, que vá chorar na cama que é lugar quente e estamos conversados.

O ministro deveria ser mais cuidadoso no trato com a Democracia. Ela nos é um bem por demais valioso para sofrer ataques deste tipo, ainda mais vindos de quem veio. Arbitrariedades e censura não deveriam constar do dicionário jurídico de um país que se diz democrático. Alguém deveria dizer isso ao ministro, respeitosamente mas garantidamente sem correr riscos de temores e retaliações, mais condizentes com outra nefasta maneira de se conduzir politicamente uma Nação.

Intuitivamente, receio que entre Gilmar e Protógenes, no infeliz picadeiro nosso de cada dia,  Daniel é quem dará o último sorriso.

P.S. O plantão deste blog informa que, às 14h de hoje, 24 de março, teve acesso a parte do conteúdo da sabatina da Folha realizada com o ministro Gilmar Mendes. Segue um trecho, retirado da Folha Online, escrito pelo jornalista Thiago Faria.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, criticou nesta terça-feira o fato de haver suspeitas sobre escutas clandestinas no seu gabinete, em Brasília. Segundo ele, mesmo com a não confirmação do grampo, havia um quadro de descontrole naquele momento no país que tornou o episódio "verossímil".

Nota do blogueiro: ok!, ficamos assim, então: o criminoso grampo tratou-se na verdade de um "episódio 'verossímil', pelo fato do descontrole daquele momento. Levado ao extremo, esse argumento torna "verossímil" tanta coisa inverídica. Basta creditá-las ao "descontrole". E "descontrole" pra justificar é o que não nos falta. Depois destas palavras do ministro, acho que a parte da imprensa que vendeu o grampo como favas contadas deve uma boa explicação à sociedade. A começar pela revista Veja. Sou leitor dela, e na próxima semana espero encontrar nas suas páginas algumas linhas sobre este teu "furo", para não ser indelicado.



Escrito por Marcos Pardim às 19h32
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