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25 DE JULHO É O DIA, 20 É A HORA, SINTAM-SE CONVIDADOS
Embora motes e vontade não me faltem, tenho andado obrigatoriamente alheio ao mundo virtual, tanto na manutenção dos garranchos daqui quanto na leitura prazeirosa e muitas vezes indispensável das letras dos blogs que gosto de visitar.
Algumas coisas têm contribuido para este meu alheamento compulsório, dentre elas a roteirização, produção e ensaios do sarau lítero-musical 25 ANOS DE ESTRADAS, CANÇÕES E RABISCOS (ver post de 24/06/08). A bem da verdade, sarau lítero-musical é antes um metido eufemismo para um brincadeira, uma deliciosa brincadeira, um troço qualquer, cujo roteiro remete a um outro tempo, recente, mas inexoravelmente um outro tempo. Uma forma que, dois amigos, encontramos para brindar coisas cotidianas e banais como a amizade e o reencontro.
Dois jovens, recém saídos da adolescência, se encontram em uma cidade estranha a ambos: Marília, calouros de cursos de Humanas na UNESP (Universidade Estadual Paulista). Como necessária contextualização, é preciso lembrar que havia no país, que vivia então sob o peso das mãos e dos coturnos do militarismo, uma aura de liberdade possível. O Brasil, entusiasticamente, inebriava-se no clima das Diretas Já, movimento que culminou com a restauração da democracia, este "conceitozinho desimportante e básico" que nos permite votar e escolhermos a quem queremos a nos governar.
A luta por essa liberdade impregnava a sociedade de uma espécie de catarse que nos impulsionava a sonhar com uma felicidade que prometia ser coletiva, e não somente um luxo individual e intransferível. Os jovens da época, inclusa a dupla dinâmica composta por este que vos torra a paciência e Marcelo Roverso, encontravam nas Artes, na filosofia, na sociologia e na psicologia, a companhia diária e ideal para se fazerem protagonistas daquele momento histórico.
Nas Artes, era comum música e literatura, sobretudo poesia, se unirem para dar vez e voz aos sonhos e utopias de meninos e meninas que, com seus cabelos longos, batas indianas, sandálias, bolsas e chinelas de couro, acreditávamos, pretensiosos, iriamos mudar o mundo, obviamente para melhor. Hoje, 25 anos & quilos depois, continuamos jovens (ou ao menos temos a imperativa vontade de que assim nos vejam), mas certamente não fomos capazes nem de mudar, muito menos de melhorar o mundo. Talvez, quando muito, tenhamos conseguido mudar e melhorar a nós mesmos, o que haverá de não ter sido pouca coisa.
Eu, rabiscador e ajuntador de letras, e o produtor, poeta, blueseiro e amigo Marcelo Roverso, estaremos brincando de contadores de história. De uma história que começou há um quarto de século atrás e veio sendo construída, numa espécie de mosaico sem fim, onde se vai juntando os cacos espalhados pelas estradas, canções e rabiscos. Uma história que só quer mesmo, despretensiosamente repita-se, celebrar esta coisa simples e comezinha que é a amizade, que acredito será companheira da humanidade enquanto a nós for possível o milagre da existência.
P.S. - Nesta mesma noite, a primeira atração ficará por conta de uma performance teatral da atriz Jaqueline Durans (da cidade paulista de Limeira). Em seguida, acontecerá o sarau descrito acima. Ambas as programações fazem parte do Festival de Artes de Inverno do TEMEC (Teatro e Escola de Música Eleazar de Carvalho), coordenado por Marcelo Roverso. O teatro fica à rua Cuiabá, 61, Bairro Brasil, Itu, (11)4022-0206 e os ingressos custam a exorbitância de R$10,00 ("deiz real").
Escrito por Marcos Pardim às 20h29
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PALAVRAS QUE, COMO ÁGUAS, VAZAM
São todos estes os teus olhos, para além, muito além, dos dois que me fitam, par de antenas que ora me tateiam, ora me despem, e o que sei eu de você, você de mim?
Apenas que o verbo que nos roça, atiça, arrepia, transpira, no hoje que a toda hora se acaba, no amanhã que, embora custe a chegar, começa e termina no reencontro, e o que sei eu, que sabe você?, sobre o por que amar no princípio, se não foi, deveria ter sido.
Me decifre ou me devore. Me peque ou me perdoe. Me satanize ou me santifique. Na pureza de um limão ou na sedução de uma maçã, ou pode até ser na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, para todo o sempre, amém, sobretudo aquele para sempre que nos mostra a face do abandono logo ali, se não na próxima, na outra curva do rio, riacho, lago, poça, gota, pingo, lágrima...
Mas faça de mim, aquilo que só você pode fazer, algo melhor do que eu mesmo não seria, por não saber ser, sem você, meu verbo, meu princípio, meio e fim, meu gênesis: Amor.
Escrito por Marcos Pardim às 22h49
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lágrimas
quereria te dizer sobre todas as preces que deveria ter rezado, e não orei, sobre todas as orações que fiz, e não deveria ter orado, pois foram frutos antes do desespero e sensação de abandono que da fé, aquela que dizem remove montanhas, mas que em mim sequer é capaz de mover os galhos secos e retorcidos desta árvore que, no paraíso, deve ser frondosa, e o que hei de fazer se do paraíso me traficam mais a consolação, aquela que, se não me redime, ao menos me comove e, comovido estando, reconheço em mim o sentimento que necessito, devo e preciso ter, e não sei se tenho, por você, meu amor, minha dor inevitável, por ser a única e derradeira maneira de fazer piscar a luz no fim do túnel, por onde trafega o trem mais desgovernado que conheço, aquele que me carrega ladeira abaixo, morro acima, transportando o milagre que tanto me dá, e tanto me tira, que é viver, eu que sei, aprendi, na marra, no murro, que por vezes é a carraspana, a embriaguez, o porre e não a porra, o colo e não a foda que se faz porta-voz da macheza, que te faz homem em certas horas, sobretudo as nuas, luas que precisam iluminar ruas, calçadas, esquinas, caminhos, se é que me entendes, por favor me entenda.
Escrito por Marcos Pardim às 13h59
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ESTRADAS, CANÇÕES E RABISCOS
Lá no blog de Xico Sá li uma crônica: Sobre Homens e Bacuraus. A partir de um encontro com um amigo e do natural bate-papo advindo dele, Sá criou um clima nostálgico, relembrando fatos e pessoas importantes de sua vida nos, no dizer dele, "anos um, nove, oito, zero, 1980".
Pensei assim: sei não, mas acho que esse revival nostálgico anda meio que pairando no ar, feito vírus gripal, e nós, quarentões, esquecidos da picadinha da vacina anti-nostálgica da meia-idade, andamos facilmente contagiados.
Também eu, há pouco mais de um mês atrás, reencontrei um velho e querido amigo, cujo ápice da amizade se deu naqueles anos "um, nove, oito, zero, 1980", anos estes que me influenciaram de maneira definitiva, moldando este mal-ajambrado ser, quando me fizeram desligar-se da meninice e entrar na adultice, ainda que não tenham me alijado da procura, do desejo e da utopia de um mundo melhor, este sonho que se mostrou, mostra e talvez mostrará incapaz de tornar o mundo justo, mas que me parece indispensável, na falta de um melhor. Também foram anos que me fizeram cair os tombos mais doloridos da existência, embora sejam responsáveis também por terem me dado fatos e pessoas inesquecíveis e geniais.
Pois bem, e sem mais delongas, que o tempo é curto e a paciência dos cinco ou seis leitores deste blog menor ainda, reencontrei um amigo: Marcelo Roverso, poeta e blueseiro, espantosamente ainda tão idealista quanto rechonchudo e calvo (perdão ai, amigo, a inconfidência). E não é que ele acabou por me convencer a subir em um palco e ser "estrela" novamente?
Como nos bares, sarjetas, centros culturais e praças de Marília, Vera Cruz e adjacências dos anos "um, nove, oito, zero, 1980", vamos juntar letras, desalentos e sonhos (tanto os já irremediavelmente perdidos quanto os ainda não). Criamos um roteiro fuleiro e vamos começar a ensaiar um troço qualquer chamado 25 anos de estradas, canções e rabiscos. No final de julho faremos duas apresentações, uma em Itu, num festival cultural de inverno que ele está coordenando no TEMEC (Teatro e Escola de Música Eleazar de Carvalho), e outra em Salto, no Centro Cultural Barros Jr. Em agosto deveremos encerrar a temporada nostálgica, no Ponto de Cultura FASAM (Familiares e Amigos da Saúde Mental).
Estou seriamente desconfiado que essa nostalgia é mesmo um jeito bem bacana de (re)contar histórias, sobretudo as inventadas, noves fora as verdadeiramente acontecidas, que no mais das vezes carecem mesmo de permanecer no limo da existência, para o bem de nossa própria atual sobrevivência.
Fazer o quê, se (re)contar histórias parece mesmo ser a nossa sina e nossa danação (ôps, queria dizer salvação)?
Escrito por Marcos Pardim às 10h05
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Para Tchdyo, Kawai, Awassori, Caterê e Indian

foto: Iara Bortoluci - Assessoria de Imprensa da FASAM
No final do mês de março foi sancionada uma lei que inclui na grade curricular das escolas públicas e particulares de nível fundamental e médio o ensino obrigatório de História e Cultura Indígena Brasileira, com prazo de adequação até o ano de 2010. O Ponto de Cultura FASAM, onde atuo como diretor cultural, possui uma parceria com a aldeia Kariri-Xocó, da cidade alagoana de Porto Real do Colégio, e através dela realiza ações culturais que permitam o resgate e a preservação da cultura indígena. Uma ação da Secretaria Municipal de Educação da cidade de Salto, município vizinho à Itu, cidade sede do Ponto de Cultura FASAM, propiciou a realização do projeto “Resgatando a Cultura Indígena Brasileira”, que está sendo desenvolvido e foi elaborado em três etapas. A primeira delas foi a apresentação do programa a todos os professores da rede municipal de ensino, mediante palestras e apresentação de vídeos e power-points relativos ao tema. Todos os professores saíram do encontro com uma apóstila, organizada pela psicopedagoga da FASAM, contendo uma série de atividades que deveriam ser aplicadas com os alunos nas fases pré e pós as oficinas do projeto visitarem as dez escolas envolvidas no programa. Na segunda parte, realizada de 26 a 30 de maio, uma oficina especialmente preparada atendeu cinco CEMUS – Centro de Educação Municipal -, contemplando os alunos do período vespertino, uma opção da própria Secretaria, já que um outro projeto, ligado ao meio ambiente, havia sido apresentado aos alunos do período matutino. A oficina tem duração aproximada de 3 horas e constitui-se da seguinte programação: Hino Nacional em Tupi-Guarany cantado pelos alunos do Coral da FASAM; entrada do pajé e mais 4 indíos kariris-xocós numa dança que simboliza a saudação; apresentação e explicação de usos e importância de objetos indígenas; encenação teatral da Lenda da Mãe D’água, com a participação de alunos de Teatro, indígenas e dois alunos contadores de histórias da formação de griôs da FASAM; perguntas dos alunos aos indígenas; explicação sobre a importância e a utilização dos maracás; distribuição de maracás aos alunos; dança final, celebração conjunta de alunos, professores e indígenas. Em sua terceira etapa, os alunos desenvolvem tarefas pedagógicas sobre a oficina e os professores respondem a um questionário avaliativo. Outras cinco unidades de CEMUS serão atendidas na última semana de agosto, quando também acontecerá uma apresentação pública, na Praça XV de Novembro, uma das principais praças de eventos de Salto. Nesta primeira etapa do projeto, foram atendidos 1200 alunos, 46 professores, 34 funcionários e 19 profissionais com cargos de direção e equipe pedagógica. O projeto também atraiu grande atenção da mídia, tendo sido inclusive pauta de uma generosa matéria da TV TEM (afiliada regional da TV Globo), que serviu de fechamento para uma das edições do jornalismo regional no dia 31 de maio. Finda esta primeira etapa, a avaliação entregue ao Ponto de Cultura pela Secretaria da Educação destacou a qualidade e a seriedade do projeto, além de sugerir uma visita de alguns professores à aldeia e a realização de um projeto de Cultura Afro.
Escrito por Marcos Pardim às 21h23
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EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO AVÔ
Noite:
O pai, após ausência que dura o dia todo, chega à casa. Ao beijar o filho, que se prepara para deitar-se, ouve dele um recado: Pai, o vovô pediu pra você ligar pra ele.
Manhã:
O pai, fazendo as vezes do filho que também é, faz aquilo que o recado dado na noite anterior recomendara. Bença, pai. Deus te abençoe. O senhor queria falar comigo? Queria, sim, filho. Por favor, passe aqui, pegar o doce de abóboras que te fiz ontem.
Tarde:
Sentado à mesa da cozinha, o filho recolhe das mãos do pai a vasilha com o doce de abóboras, o mais delicioso dos doces de abóboras que possa haver. O velho pai, ainda um tanto debilitado pelo infarto e pela cirurgia de poucos meses, apertando o peito com os dedos da mão direita, cacoete que adquiriu após a operação, diz: há dias que venho dizendo querer fazer doce de abóboras pra você. Duas vezes, fui comprar mas não encontrei abóboras bonitas. Ontem, achei. Experimenta, filho, vê se ficou do jeito que você gosta...
Escrito por Marcos Pardim às 21h59
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UM COMENTÁRIO QUE MERECE SER POST
"... quando amamos com olho de menino o pôr-do-Sol todo rosa&violeta, quando nos empenhamos no dever de casa com letrinha caprichada e uns cachinhos de borracha aderidos nas emendas dos grampos, quando antecipamos sorrindo um almoço, quase sempre igual, de bife com batata frita, arroz e feijão, quando contamos vantagens inocentes pros coleguinhas e ouvimos, ENTUSIASMADOS, as histórias que nos contam... não é preciso procurar sentido em mais nada. Basta amar, odiar, dar pulos, tocar, abrir os olhos. Pensar, como dizia o Pessoa, é estar doente dos olhos. Essa doença convoca a idéia de futuro e de sentido e pronto... acabou-se a Inocência."
Encontrei hoje esse texto acima em minha caixa de comentários. Me foi enviado por Lacques Jacan, um pseudônimo criativo e genial inventado por um leitor assíduo deste, como diria meu querido avô, "desconjuntado" blog. Sei pouco, quase nada dele. Apenas seu endereço e que se chama Cássio. Um dia, por aqui mesmo, ele me pediu um de meus livros. Enviei para ele, autografado, um exemplar de um todo rabiscado de crônicas: Que A Lua Habite o Papel.
No mais, gosto dele, sem nem ao menos tê-lo visto ou conversado com ele, quer seja por skype, celular, telefone convencional ou sem fio, msn, orkut & carai a quatro... Somente por aqui mesmo, via comentários e respostas. Também acho que ele deveria criar um blog. Jacanianas talvez fosse um bom nome. Este comentário, deixado hoje, sobre o texto de 23/05 (Tati canta porque é feliz), comprova isso.
Salve, Cássio. Salve todos os que por aqui passeiam com olhos & carinho & atenção. Esta coisa de internet e blog é mesmo uma coisa legal que só vendo.
Escrito por Marcos Pardim às 14h30
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DE QUANDO GUARDANAPOS SUGAVAM LETRAS E DEPOIS SE PERDIAM POR AÍ
e quem há de conseguir encontrar um meio de endurecer este tão amolecido coração, capaz de fazer de suas sístoles e diástoles um afagar sem-fim, um carinhoso passar de mãos por sobre tão desastrada cabeça, esta que pensa e repensa ser tão indispensável saber que errar é humano, tão humanamente previsível e compreensível, que de outro jeito viver não fosse tão merecidamente passível.
*** da série palavras um dia agrupadas e esquecidas no desmaio do tempo
Escrito por Marcos Pardim às 16h59
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GUSTAVO KUERTEN
Au revoir, Guga!!! Por que foi em francês que te vi desenhar um coração no chão de saibro e também reverenciar um ídolo que veio te entregar o troféu de campeão.
Felizmente, há pessoas que nos fazem chorar, felizes... Obrigado por ter me dado essa felicidade.
Escrito por Marcos Pardim às 15h09
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TATI CANTA PORQUE É FELIZ
Como faço uma vez ou outra, quando assim o tempo permite, entro na sala dos alunos portadores de necessidades especiais para visitá-los.
Como sempre, Tati canta uma música, enquanto manuseia letras soltas por sobre uma folha branca de papelão. Diz que vai escrever meu nome. Enquanto tateia - Tati é cega, além de conviver com uma (s) outra (s) patologia (s) mental (ais) que, confesso, não sei bem quais sejam.
Repouso uma de minhas mãos sobre teu ombro direito. Ela silencia. Pergunto que música é essa que está cantando tão bonita. Ela sorri, e diz que é da dupla Sandy e Júnior. Digo que esta deles eu não conheço, mas que uma que diz "vamos pular, vamos pular", eu conheço. Ela, então, canta esta para mim. E continua a juntar as letras que a ponta de seus dedos identifica como sendo as de meu nome.
Que mais você gosta de cantar?
Eu? Do Zezé de Camargo e Luciano, do Leonardo...
Canta uma do Zezé de Camargo e Luciano, peço-lhe. Ela canta. Repito o comentário feito para a música de Sandy e Júnior, acrescentando que conheço aquela que fala assim: "é o amor...". Ela, pra variar, canta um trecho desta também.
Resolvo comentar com ela que sempre que a vejo ela está cantando. Por quê?, questiono.
Porque sou feliz, ela responde.
Sinto minha cabeça balançar, engulo um pelote intragável de saliva e lentamente retiro minha mão de seu ombro. Despeço-me e saio.
No corredor, como que querendo me apossar da felicidade de Tati, recordo-me de uma canção de Lenine e começo a cantarolá-la: malucos e donas de casa / vocês ai na porta do bar / os cães sem dono, os boiadeiros / as putas babalorixás / os gênios, os caminhoneiros / os sem terras e sem teto / atores / diretores / djs / os undergrounds / os megastars / os rolling stones e o rei / ninguém faz idéia de quem vem lá, ninguém faz idéia de quem vem lá...
Escrito por Marcos Pardim às 22h37
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A CULTURA A SERVIÇO DA GENTE
MOBILIZAÇÃO NACIONAL APOIO AO PL 2145/2007, QUE REGULAMENTA A ATIVIDADE DAS PARTEIRAS TRADICIONAIS DO BRASIL, E EM REPÚDIO AO DEPUTADO DR.SÉRGIO NECHAR (PV-RJ), RELATOR DO PROJETO, QUE EMITIU PARECER CONTRÁRIO À SUA TRAMITAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL.
obrigado,
Alexandre Santini (21)95050812
Ação Griô Nacional
Fórum Nacional dos Pontos de Cultura
Olinda, 12 de maio de 2008
Exmo Sr. José Gomes Temporão, Ministro da Saúde
Exma. Sra Nilceia Freire, Ministra da Secretaria especial de política das mulheres Exmo. Sr. Arlindo Chinaglia, Presidente da Câmara dos Deputados Exma. Sra Sandra Rosado, líder da bancada feminina no Congresso Nacional Ilma Sra Regina Viola, coordenadora da área técnica de saúde da mulher do Ministério da Saúde Estamos encaminhando esta carta para expressar o nosso repúdio à posição do Exmo. Dr Sérgio Nechar, médico e deputado federal pelo PV de São Paulo, que emitiu parecer contrário ao Projeto de Lei 2.145/ 2007, de autoria da Deputada Janete Capiberibe (PSB/ AP), que reconhece e regulamenta a atividade das parteiras tradicionais no Brasil. O Dr. Nechar, relator do referido projeto, alega compreender a importância do trabalho das parteiras, porém NEGA a continuidade da sua tramitação por considerar que "as práticas das parteiras não são ideais". Essa é sua justificativa. As práticas das parteiras não são ideais para quem? Serão por acaso ideais as práticas e as condições que a população brasileira encontra em seu atendimento pelo sistema público de saúde? Quais são as práticas ideais para a saúde das mulheres brasileiras? Para a saúde das comunidades quilombolas, indígenas e rurais deste país? Para o atendimento das necessidades das comunidades de periferia dos grandes centros urbanos? Qual seria a prática ideal na opinião dos senhores parlamentares que nasceram de parto natural e com parteira? Será que o ideal é as mulheres desistirem de seu poder de decidir pela possibilidade de um parto humanizado e natural? Será que a hospitalização da gestante e a proliferação da cesáriana como procedimento cirúrgico corriqueiro são práticas ideais em nosso país? Devem estas mulheres que exercem o ofício de parteiras cortarem o fio de sua própria história? Devem desistir de ensinar a suas filhas a sabedoria ancestral de acompanhar o parto de outra mulher como um ritual natural da vida? Imaginem que as parteiras parassem de trabalhar por considerarem que o Dr Nechar está certo. Imaginem a tragédia humana que isso representaria para parte considerável da população que não tem acesso aos serviços de atenção básica de saúde, e tem nas parteiras a opção de um parto seguro e assistido. Há ainda grande parte da população, inclusive nos grandes centros urbanos, que opta pela assistência das parteiras e se sentirá usurpada no direito de terem seus filhos no seio de suas famílias. Os estudos que mostram os indicadores positivos de saúde relacionados com os serviços das parteiras são amplamente conhecidos e divulgados, e o próprio Ministério da Saúde na prática já reconhece e acolhe a atividade das parteiras no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Programa de Saúde da Família (PSF). Sabemos também que a atividade das parteiras está relacionada com a formação cultural, identidade e ancestralidade de nosso povo. E se quisermos analisar do ponto de vista econômico, a atividade das parteiras é completamente sustentável e onera muito menos o sistema público do que as práticas cirúrgicas e hospitalares associadas ao parto. E para aqueles que porventura questionarem os pressupostos "científicos" da atividade das parteiras, vale lembrar que o Brasil é signatário da Convenção da Nações Unidas para a Diversidade Cultural (UNESCO, 1995), que orienta os estados-membros a reconhecerem e apoiarem as práticas e saberes relacionados às tradições culturais, étnicas e sociais de seus povos. Nós, em nome do Fórum Nacional de Pontos de Cultura do Brasil, da Rede da Ação Griô Nacional, da Rede Latino Americana de Trabalhadoras Rurais, e diversas outras organizações, coordenadores de projetos sociais, ongs, pesquisadores, educadores e profissionais de saúde que assinamos esta carta, viemos apoiar a luta do Ponto de Cultura Cais do Parto e da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais, que reuniu recentemente em Olinda -PE cerca de 300 parteiras tradicionais do Brasil e da América Latina. Solicitamos a revisão imediata do parecer da relatoria, e o encaminhamento urgente do projeto de lei 2145/2007 para votação no Congresso Nacional. De nossa parte, estaremos atentos e vigilantes, acompanhando este processo, esclarecendo a sociedade sobre o tema e mobilizando redes sociais de todo o país em apoio, solidariedade e reconhecimento à luta pelos direitos das parteiras tradicionais. Todo o poder emana do povo, e em seu nome será exercido.
Nota do blogueiro: Há um movimento cultural muito interessante acontecendo no país, graças ao Programa Cultura Viva, do MinC. E os chamados Pontos de Cultura (atualmente, 800 espalhados por todo o país) têm sido um instrumento bastante contundente em algumas lutas. Eu, que só me tornei "gente" por conta da Cultura e da Educação, fico emocionado e feliz de ver estes conceitos, aliados à Cidadania, sendo valorizados por um programa de Governo. Oxalá, a sociedade seja capaz de ajudar este programa se tornar um paradigma de políticas públicas e transforme-o em programa de Estado. A Cultura é, sim, o maior bem individual, a pérola da concha humana, a linha capaz de costurar o rasgado tecido social nosso de cada dia. Sabê-la ferramenta de lutas e conquistas diversas, muito me reconforta e, mais ainda, muito me reafirma, diria mais: me legitima enquanto cidadão.
Escrito por Marcos Pardim às 07h37
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PAUSAS PARA MIM

Luiza, eu e Pedro
Extra! Extra! Extra! O plantão deste blog informa que o motor que empurra calçadas e esquinas a fora o esqueleto deste blogueiro fuleiro que vos fala, a partir de hoje, 13 de maio, muda a sua versão: passa a funcionar em 4.5. Embora haja quem advirta que envelhecer faz mal à saúde, já me viciei nessa porra. Todo ano envelheço um pouco, e não é que aprendi a gostar deste troço milagroso chamado existência?
Escrito por Marcos Pardim às 07h41
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DE LÉO DO PEIXE PARA ANTONIO ERMÍRIO
Léo do Peixe (em 02/01/07, com o título de Ao Correr dos Dedos no Teclado, escrevi aqui um post que falava de seu Clube da Leitura, projeto cultural que ele mantém em Pirapora(MG), à beira do São Francisco, na insana tentativa de tentar livrar crianças e adolescentes do vício e da criminalidade) me mandou um email, agradecendo. Respondi, intrigado pelo comentário deixado tanto tempo depois. Ele me reescreveu, dizendo que somente agora está se familiarizando com a internet e descobriu meu blog no google. Me pediu um favor: que o ajudasse a divulgar mais uma de sua lutas. Desta feita, pela saúde do velho Chico. Ele escreveu uma carta ao dono da Votorantin e quer tentar fazê-la chegar até ele. Não creio que meu blog possa ajudar em muita coisa, mas cantarolar a bela canção de Caetano: Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia/... Velho Chico vens de Minas/ De onde o oculto do mistério se escondeu\/ Sei que o levas todo em ti, não me ensinas/ E eu sou só, eu só, eu só, eu... e publicar a carta eu posso: Eí-la:
"Prezado Antônio Ermírio,não nos conhecemos pessoalmente embora acredito conhece-lo bem a algum tempo, desde de quando morei um tempo em São Paulo e passava quase todos os dias pelo viaduto do chá em direção a av Rio Branco, nesta caminhada para o meu trabalho passava em frente ao escritório de sua empresa familiar e chegava a me emocionar sabendo da luta de sua família para construir aquele sonho, eu era seu admirador, eramos amigos sem nos relacionar-mos pelo respeito que tenho por quem trabalha e produz. este é um dos motivos que o parabenizo, o outro é a limpeza que sua empresa ajudou a fazer em nossa cachoeira aqui em Pirapora, nós haviamos iniciado em 2006 um multirão de limpeza do trecho dentro da cidade, o que foi possível a população fez, mas a tarefa não pôde ser feita nos nove sábados seguidos em que nós nos debruçamos sobre o nosso rio, rio que sendo "nosso" é também seu. Então o prefeito de Pirapora, com sua visão o procurou e a outras pessoas e empresas. Assim terminou a limpesa, nossa cahoeira ficou linda , a captação de agua melhorou, e etc. Prezado Antônio, me permita assim chama-lo. Não me apresentei, sou um pescador profissional que vivo com minha família, esposa Analina e filhos, Gabriel de 8 e Isabela de 6 anos, aqui em Pirapora MG, tenho minhas raizes fincadas nestas barrancas, retiro meu sustento e da minha família que amo, de rios de nossa região, em especial do "nosso" velho chico, este é um dos motivos que me faz lutar por ele, outro é o fato de querer que ele esteja aqui e por seu caminho até o mar, vivo, dando agua a quem tem sede, alimento a quem tem fome, lavando os corpos e as almas de quem dele prescise. Amo este rio assim como meu próximo, por todos que amo entrego se presciso minha vida. Percebe como temos algo em comun? Prezado Antônio,sei do seu compromisso com sua família, seus funcionários e também com o próximo, devo dizer que quando seu nome foi ventilado para candidato a presidente da república eu vibrei. Voçê é um dos brasileiros que poderia sem sombra de dúvidas ocupar este cargo. Prezado Antônio, nós barranqueiros do velho chico temos sofrido com problemas em nosso rio, um deles se dá por contaminação por metal pessado, que é o que sua empresa produz em Três Marias. Antônio, sinceramente por sua história, acredito que hoje a sua empresa esteja adequada aos padrões de segurança ambiental, acredito. Prezado Antônio, é presciso que voçê faça mais do que limpar nossa cachoeira, Temos que resolver o problema do passivo ambiental, acumulado no leito do rio, temos que repovoar o rio com peixes de nossa bacia e ainda tertar ajudar os ribeirinhos que padecem por estes problemas, são muitos antônios, Pedros e josés sofrendo com as agreções ao velho chico. Para que voçê saiba, alem do problema com os metais, tivemos problemas com mortandade de peixes em turbina da cemig, o rio das velhas despejou algas azuis provocando morte de peixes e impedindo a pesca. Prezado Antônio, é presciso que voçê faça a coisa certa, seja nosso parceiro, companheiro e amigo do velho chico, voçê tem uma propaganda em veiculos de comunicação da região, que a todos soa falsa. faça-a verdadeira, "votorantin, uma empresa que acredita em sua gente e no meio ambiente", acredite neste pescador e em todos os que sofrem com estas agressões e nos ajude a lutar pelo velho chico. Prezado Antônio, acredito em seu coração e na correção de seu caráter, receba um abraço deste pescador, desculpe-me pelos erros pois estou me incluindo digitalmente, se precisar falar comigo vai ai o contato. Leonardo da piedade diniz filho av benjamin constant 1135 bairro santos dumont Pirapora MG cep 39270000 tel. 38 3741 7122 e 38 9947 7122".
Escrito por Marcos Pardim às 08h17
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SOBRE MÃES, MULHERES E O NOSSO DESTINO DE AMÁ-LAS
A maior e mais conhecida empresa da cidade de Itu é também parceira da ONG onde coordeno culturalmente as ações de inclusão social. Hoje, ela nos convidou para realizarmos um Sarau Cultural em homenagem às mães. Já fizemos apresentações pela manhã e à tarde. Agora à noite, daqui a pouco, faremos a derradeira delas.
A mim, coube criar e ler um texto que fizesse a abertura do Sarau, que conta com coral, violinos, performances de teatro e dança. Rabisquei um negócio mais ou menos assim:
Filhos têm o dom de transformar mulheres em mães.
E o ato da concepção faz da mulher o ser humano mais próximo do milagre da criação divina.
E a nós, homens, esses moços, pobres moços, como bem define aquela sábia e velha canção de Lupicínio Rodrigues, só resta amarmos as mulheres. É o nosso destino, a parte que nos cabe na peleja eterna das relações afetivas.
Toda mulher que se faz mãe, via de regra, noves fora alguns indizíveis casos de violência, assim se faz por amor. Seja amor de um dia, de uma estação ou amor de uma vida toda. E se assim não foi, ao menos haverá de ter sido pelo sonho, pela ilusão imprescindível do amor.
Há antenas que capturam isso muito bem. Entre elas, os poetas. São tantas e imemoriais as odes, canções e poesias dedicadas a esse amor. E até eu, esse rabiscador de palavras, esse ajuntador de letras, já cantei, canto e cantarei o meu amor por vocês, mulheres.
Escolhi alguns versos, escritos e declamados em algum tempo que ficou lá trás, e que na ocasião me serviram para seduzir e conquistar uma mulher, que é hoje uma mãe, se não dos meus filhos, dos de um outro homem, que oxalá a ame com a mesma devoção que a amei um dia e hoje amo e devoto a mãe de Luiza e Pedro, estes sim, meus filhos.
O poema se chama Canteiros e é assim:
Foi numa primavera
Que eu ouvi de um passarinho
Algo assim como você
E dos canteiros ao teu faro
Era todo o resto em flor
Foi me dado o teu querer
Tanto a abelha quanto a flor
Que se dão por natureza
Sentem o mesmo prazer
De se ver
De se ter
De se crer
Que em seu corpo brota o mel.
Escrito por Marcos Pardim às 18h50
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CENSO
seguinte, dois pontos, parágrafo, travessão "morador de rua brasileiro é homem, alfabetizado e tem parentes na cidade", diz pesquisa, nenhum pesquisador ou assistente social de nenhum sexo bateu à minha porta, tocou a campainha de minha casa ou bateu palmas em frente ao meu portão, também não preenchi formulário algum nem respondi a questionários que não me foram remetidos
sou brasileiro, homem, leio, digo mais: ainda sou metido a rabiscar, a desenhar pensamentos em forma de letras agrupadas e, embora seja fruto da roça, vivo e tenho parentes na cidade, e se recenseado fosse teria dito coisas como calçadas insinuantes, sarjetas sedutoras que me lambem e me beijam, diria também dos tantos mendigos, andarilhos, maltrapilhos ou jesuses de seus tempos e dias que me abordaram, abordam e inevitavelmente continuarão a me abordar
minhas respostas, dadas assim, fosse quem fosse o interlocutor, fariam com que os recenseadores ficassem tentados a me incluir na triste estatística da mendicância da existência, coisa que milagrosamente não fui, afortunadamente não sou e abençoadamente não serei
que os anjos caídos me digam amém
Escrito por Marcos Pardim às 14h27
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